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    O Cortiço.
      É incontrovertível que mediante processos históricos-sociais de urbanização, o Brasil hodierno ostenta graves problemas de ordem habitacional. Nesse contexto, somado a negligência estatal, o quadro de segregação socioespacial é maximizado. 
       Primordialmente, é relevante entender a dinâmica da formação do espaço urbano em terras tupiniquins. Visto que, o auge do período cafeeiro da economia brasileira, aliado à mecanização do campo, provocou um intenso êxodo rural. Não obstante, esse contingente assume hoje uma parcela superior a 80% de habitantes nas cidades, porém, com um déficit que ultrapassa 8 milhões de moradias, segundo o IBGE. 
       Outrossim, enquanto as áreas mais abastadas concentram empregos, educação e lazer, as classes desfavorecidas instalaram-se em lugares estratégicos próximo aos grandes centros, dando origem ao processo de favelização. Por outro lado, os desafios do déficit habitacional estão atrelados não somente ao cenário de ocupações irregulares ou ausência de moradia, mas também a uma infraestrutura precária de habitat - como a coabitação, quando mais de uma família convive na mesma casa. Em decorrência dos fatos citados, é perceptível o cenário de desigualdade social e segregação espacial na organização do espaço geográfico brasileiro. 
       Destarte, depreende-se que as deficiências habitacionais possuem origens históricas e permanência por negligência governamental. É imperativo que o Estado crie uma política habitacional eficiente, que seja plenamente executada pelos municípios. Ainda, enquanto a problemática não for totalmente resolvida, o Estado deve garantir assistência de serviços básicos às favelas, para que sua ausência não dê margem a atuação do poder paralelo. Ademais, os projetos habitacionais devem ser discutidos com os movimentos sociais que tem todo um histórico de luta por moradia e dignidade humana.