Déficit habitacional no Brasil

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    "É preciso que uma nova era comece".A frase do líder africano Nelson Mandela parece fazer alusão ao comportamento humano na contemporaneidade,especialmente na atual sociedade segregada,onde a urbanização e,consequentemente,a industrialização,parecem inferir cada vez mais no modo de agir da população.Essa perspectiva,baseada na questão do déficit habitacional,compromete a vida dos indivíduos,sendo refletida,principalmente,na ausência de políticas eficazes de apoio ao cidadão e no preconceito vigente acerca da favelização.
     Em primeiro lugar,a globalização,com suas origens que remontam o século XV e XVI,impulsionou a modernização nos mais diversos países.O fato de o homem buscar suprir cada vez mais as suas necessidades,permeia o surgimento da urbanização,em que,concomitantemente ao avanço das cidades e ao progresso das mesmas,a segregação social acaba sendo explícita no dia a dia da população.Nessa ótica,cumpre destacar que houve a falta de planejamento das malhas urbanas,ocasionando as ocupações irregulares nas encostas,nos morros e nas zonas periféricas,por exemplo,em que muitos cidadãos permanecem,até hoje,embora seja assegurado pela Constituição o direito de moradia digna a todos,em condições habitacionais precárias.
      Em segundo lugar,os fatores socioculturais corroboram,de fato,às implicações,cada vez maiores,de quem mora nas zonas de favelização,por exemplo,em que os conceitos de que só quem mora em favela é preguiçoso porque não quer trabalhar ou de que todo mundo que mora em favela é criminoso são frequentes na sociedade atual.Atrelada a isso,a falta de saneamento básico,originando doenças é cenário frequente de mais de 70% da população,por sobreviverem à mercê de apenas dois salários mínimos,segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios(PNAD).Sob esse viés,uma parcela dessa população acaba optando por dividir o aluguel com outras famílias,acarretando,ainda mais,a situação de uma precária moradia,em que mais de cinco pessoas dividem o mesmo quarto.
      Logo,é imprescindível que haja uma ação conjunta da sociedade,das instituições educativas e do Poder Público,em que a implantação de debates,de palestras,de propagandas e  de campanhas publicitárias sejam capazes,pelas instituições educativas,de fomentar o senso crítico da parcela social,desmitificando o cenário das favelas.Ademais,o primeiro setor deve garantir,de modo isonômico a todos os cidadãos,o direito a uma moradia digna,por meio de políticas de saneamento básico,bem como a fiscalização das áreas para a construção somente se propícias a moradias.Sob esse viés,a população também deve exigir seus direitos por parte dos governantes locais.Assim,com as devidas mudanças sociais,a tese de Nelson Mandela poderá se tornar uma ação na realidade.