Enviada em: 15/08/2019

Sancionada em 2012, a Lei de Cotas para o Ensino Superior representou, no Brasil, um marco no que diz respeito à democratização das Universidades Federais. Nesse sentido, tidas como ambientes elitizados até então, essas instituições tornaram-se mais acessíveis e passaram a ser habitadas por estudantes das mais diversas classes sociais. Contudo, apesar desse avanço, o fantasma da evasão universitária instiga a sociedade tupiniquim a debater os desafios da diminuição das estatísticas e solucionar o problemática. Desse modo, é lícito afirmar que a ineficiência estatal somada à falta de um preparo psicológico pré-universidade colaboram para a perpetuação dessa problemática.      Primeiramente, evidencia-se, por parte do Governo, a ausência de políticas que auxiliem o estudante de baixa renda a manter-se na graduação. Essa lógica é comprovada pela atual situação que as universidades públicas passam no Brasil: contingenciamento de repasses monetários para auxílios como restaurantes estudantis e moradias universitárias, além de projetos que visam limitar a autonomia administrativa das instituições de nível superior. Dessa forma, o Estado brasileiro transforma-se em parte limitadora do acesso e permanência da camada mais baixa da população no ensino superior. Logo, é substancial a mudança desse quadro educacionalmente nocivo e desvalorizador.     Outrossim, é imperativo pontuar que a incerteza sobre qual profissão seguir, natural na adolescência, também é parte responsável pela evasão universitária no Brasil. Isso decorre, principalmente, da falta de acompanhamento vocacional que o adolescente é vítima, seja da família, seja da escola. Consequentemente, ao ingressar em um curso de nível superior e não se identificar com os conteúdos ministrados, o estudante, por sua vez, é desmotivado, o que o leva a abandonar o curso. Sob esse aspecto de importância do autoconhecimento, Sócrates, pensador grego, diz metaforicamente: ''Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses''. Nota-se, dessa maneira, que a máxima do filósofo deve ser incorporada pelo indivíduo no momento de optar por uma área de estudo.        Infere-se, portanto, que Estado, escola e família devem trabalhar para reduzir a evasão universitária no país. Posto isso, o Ministério da Educação deve - órgão superior da educação no Brasil - deve, mediante pedido de verba suplementar ao Poder Executivo, aumentar os montantes financeiros destinados às Universidades, a fim de possibilitar que estudantes de baixa renda possam ter alimentação, moradia e gastos excepcionais custeados pela instituição. Ademais, tal Ministério, por meio de concurso público, deve alocar psicólogos em escolas de nível médio, que deverão realizar palestras e testes vocacionais com estudantes, com o objetivo de auxiliá-los na escolha profissional correta e evitar, assim, a evasão.