Enviada em: 11/08/2017

O desastre ambiental de Mariana afetou não somente o meio ambiente, mas também a vida humana. Este foi apenas um dos momentos históricos em que os interesses privados ficaram acima dos interesses públicos. Com efeito, essa situação expressa como muitas vezes os indivíduos não percebem o quão responsáveis são por suas escolhas.    De maneira semelhante, o acidente radioativo com césio-137, que aconteceu em Goiânia, apenas demonstra que uma falha que parece ser mínima pode gerar grandes consequências. Parafraseando as ideias da teoria crítica estudada pelo filósofo Max Horkheimer, observa-se que enquanto a razão instrumental, bastante utilizada no mundo capitalista, considera que o conhecimento serve para qualquer fim que produza lucro ou poder, não importando se trará resultados bons ou ruins; a razão crítica acredita que se deve refletir sobre o que esses saberes podem causar se forem colocados em prática. Sendo assim, observa-se a presença ~da razão instrumental na tragédia de Mariana, pois não houveram reflexões sobre os riscos e impactos que uma atividade como a mineração poderia ter para o ambiente e os seres vivos que nele vivem.    Nesse sentido, a liberdade de escolher como agir envolve também uma responsabilidade. Para o filósofo Jean-Paul Sartre, o ser humano é condenado a ser livre, ou seja, existem muitas angústias que acompanham o processo decisão. Por isso, é muito comum as pessoas utilizarem da má-fé para renunciarem sua própria autonomia e transferirem a responsabilidade de suas escolhas a fatores externos. É o que aconteceu nesse desastre, a decisão foi manter a atividade mineradora, mesmo sabendo dos riscos, utilizando como justificativa o lucro que precisava ser produzido. Prova disso é que por mais que a empresa de mineração tenha sido responsabilizada, ainda não foi demonstrado que esta realmente se sente responsável, já que muitas pessoas ainda aguardam uma reparação pelos danos causados. Em suma, o caso de Mariana consiste num conflito de interesses.    É preciso que o Ministério da Justiça, aliado do Ministério do Meio Ambiente pressione os responsáveis por meio da aplicação de multas caso eles não ofereçam a devida assistência às vítimas em determinado período. Assim como o órgão legislativo com o Ministério do Meio Ambiente deve monitorar as atividades que apresentem riscos, exigindo que estas apresentem um sistema de emergência, ou tomem alguma providência, contando também com o auxílio da mídia para alertar a população....