Desastre em Brumadinho e a gravidade da reincidência dos crimes ambientais

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    "O rio? É doce. A Vale? Amarga." são os versos iniciais do poema "Lira Itabirana" escritos por Carlos Drummond de Andrade. A esse respeito, 35 anos se passaram após a publicação desse texto e muitas empresas, a princípio mineradoras, ainda continuam cooperando para uma dívida mais amarga. Com efeito, observa-se a gravidade da reincidência dos crimes ambientais no Brasil, seja pelos interesses lucrativistas em detrimento da natureza, seja pela negligência do poder público. 
           Em primeiro plano, é indubitável que a teoria marxista é aplicável à engrenagem brasileira. Desse modo, a busca desenfreada pelo lucro rege os modos de produção e as relações homem-natureza. À visto disso, empresas exploratórias, a exemplo da Vale, não se preocupam com os impactos que suas ações podem provocar na sociedade, no ecossistema e nas próximas gerações. Como prova disso, são as multinacionais criadas para beneficiar-se das minas de ferro, sobretudo em Minas Gerais, e que no contexto atual são as responsáveis pelas maiores tragédias ambientais do país: a de Mariana e de Brumadinho. Todavia, enquanto esse modelo econômico tradicional persistir, violações contra o meio ambiente e comunidades ainda ocorrerão.
           De outro plano, a indiferença do Estado corrobora para a reincidência dos crimes contra a fauna e a flora. Sob esse viés, segundo o advogado e analista Rogério Rocco, há, no Congresso, diversos projetos de leis e de emendas à Constituição que pretendem abolir definitivamente a exigência de licenciamento ambiental. Assim, fica claro que os interesses político-econômicos dos membros do poder público faz com que o meio ambiente sofra ainda mais. Logo, essa realidade é evidenciada a partir dos relatórios produzidos pela Controladoria Geral da União que indicou que o governo federal tinha apenas 35 funcionários para vistoriar barragens de mineração em todo o país, quando o Mina Córrego do Feijão se rompeu em janeiro de 2019. Contudo, é contraditório que a nação verde-amarela busque ser desenvolvida, mas seja tão negligente em relação à fiscalização e punições.
           Mediante aos fatos expostos, como um organismo que depende do sistema imunológico, o meio ambiente necessita de mecanismos defensórios. Sendo assim, empresas exploradoras de recursos naturais, devem, mediante de parcerias com universidades, investir em pesquisas para reduzir o impacto de suas atividades na natureza, com vistas a incrementar uma cultura de prevenção e cuidado. Ademais, o Ministério do Meio Ambiente, por meio se ações governamentais, compete enrijecer a regulamentação sobre as práticas ligadas à natureza, bem como a aplicação de multas mais severas às empresas que não cumprirem as limitações estabelecidas. Dessa forma, a crítica dilucidada por Drummond poder-se-á distanciar da realidade brasileira.