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    O próprio galho 
    
    
        No livro “Cidade e as serras", de Eça de Queiroz, as personagens envoltas na Belle Epóque parisiense refletem os dilemas do crescimento tecnológico em detrimento da natureza. Analogamente, na contemporaneidade, o ser humano deturpa o ideal sustentável para obedecer a lógica do capital. Diante disso, tragédias como a de Brumadinho revivem a pauta de como o ser humano está agindo com o meio natural e até mesmo com outros indivíduos de sua mesma espécie.
       A princípio, é indubitável que a transformação do meio natural para o meio técnico propiciou que a lógica capitalista vigorasse sobre o meio ambiente, já que o extrativismo exacerbado era algo aceitável pelo novo sistema. Diante disso, a relação homem-natureza se tornou cada vez mais líquida, em moldes da obra de Zygmunt Bauman, o que extirpa do meio ambiente seu papel fundamental de equilíbrio e alavanca os índices de desastres naturais como enchentes, deslizamentos e até mesmo rompimento de barragens. 
        Outrossim, a antropização desenfreada dos ecossistemas contribui para que o próprio Homo sapiens se degrade. Segundo o bacteriologista alemão Paul Ehrlieh, a humanidade está cortando o próprio galho onde está sentada, ou seja, a vida humana também passou a ser deprimida para obedecer a lógica do “progresso". Dessa forma, tragédias como de Brumadinho que vitimou mais de duzentas pessoas – dados do G1 – se tornam cada vez mais comuns e poucas ações são tomadas para dirimi-las.                    Destarte, parafraseando Drummound, é mister que os indivíduos andem de mãos dadas para nutrir esperanças de uma humanidade menos taciturna em relação ao meio ambiente. Para tanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação transforme a sustentabilidade em disciplina escolar, para que desde a socialização primária possa-se inferir a importância de poupar recursos e cuidar do meio ambiente. Ademais, seria de suma importância que ambientalistas pedissem apoio popular com campanhas via rede social que promovessem coerção às empresas que não aderem ao ideal sustentável, com boicotes ou até mesmo protestos, para que, dessa maneira, possa-se esperar que tragédias ambientais não sejam também tragédias humanas.