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    "O rio? É doce. A vale? Amarga". Esses versos do modernista Carlos Drummond de Andrade evidenciam a temática dos crimes ambientais no Brasil e ilustram o trágico episódio sucedido no município mineiro de Brumadinho, em que uma barragem de rejeitos de minérios rompeu-se. Sob esse viés, é intensamente insatisfatório o reconhecimento governamental e social no que tange à seriedade da repetição desse desatre no país. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados, com o escopo de modificar essa deletéria conjuntura. 
           Inicialmente, podemos destacar que o chamado “Ciclo do Ouro”, do século XVIII, veio a crescer  quando a mineração passou a ser a atividade econômica mais importante da colônia. Atualmente, a  Companhia Vale do Rio Doce consolida-se como a maior exportadora de minério de ferro do mundo. Em contrapartida a esse desenvolvimento econômico, é notória a negligência política no contexto dos crimes ambientais. Nesse sentido, observam-se escassas fiscalizações às barragens de mineração, bem como a inefetiva penalização dos responsáveis pelos crimes. Em face disso, percebe-se a irresponsabilidade do Estado em aplicar diretrizes constitucionais, a exemplo da Lei de Crimes Ambientais que julga delitos contra o meio ambiente, o que descaracteriza decisivamente princípios jurídicos democráticos e possibilita a reincidência desse adverso quadro ambiental.
           Ademais, é inegável a omissão da comunidade nesse contexto brasileiro. Nessa perspectiva, nota-se a insuficiente mobilização popular para cobrança de medidas públicas que minimizem as transgressões ambientais e para punição ágil das mineradoras. Isso é constatado, principalmente, nos morosos pagamentos de multas e processos criminais de Mariana, crime ambiental anterior e similar ao ocorrido em Brumadinho, que ainda tramitam pela Justiça. Assim, verifica-se o desrespeito e a falta de empatia social para com as famílias que sofreram perdas irreparáveis, bem como a despreocupação da sociedade com a persistência e a intensificação dos impactos, na natureza e na própria comunidade, decorrentes dos delitos em questão. 
           Destarte, é essencial modificar esse contexto de reincidentes crimes ambientais. Para tanto, é impreterível que o Estado, por meio da otimização dos processos criminais e da intensificação das fiscalizações nas barragens, cumpra as leis ambientais, com o fito de penalizar as entidades responsáveis pelos crimes e reduzir a incidência desse contexto ambiental. Concomitantemente, é imprescindível que a comunidade, mediante campanhas nas redes sociais, auxilie na situação dos indivíduos afetados e determinem respostas eficazes dos órgãos públicos, a fim de viabilizar no Brasil um cenário diferente daquele representado na poesia drummondiana.