Dilemas da doação de órgãos

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    No filme "Tudo sobre minha mãe", do cineasta Pedro Almodóvar, é retratada a história de uma mãe que perde seu filho em um acidente e decide dor seus órgãos. Para ela, esse gesto estaria mantendo algo dele vivo. Infelizmente, esse cenário não é comum no Brasil. Quase metade das famílias diz "não" à doação de órgãos, segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Os dilemas desse assunto são vários e envolvem principalmente questões relacionadas à falta de informação e à falta de sensibilização por parte da população.
           Ainda, de acordo com os dados da ABTO, no Brasil, 34,5 mil pessoas estão na fila de espera por um órgão, que pode chegar a cinco anos. Esses números demonstram que o tema ainda é pouco discutido entre as famílias e a falta de informação agrava a recusa em optar pela doação. Diante dessa falta de esclarecimento, há o desconhecimento do diagnóstico de morte encefálica, que é permanente e irreversível. Mesmo ele sendo seguro, como exige a legislação, muita gente não acredita, devido, principalmente, à desconfiança com o Sistema Único de Saúde (SUS), chegando a cogitar a hipótese de que ao ser um doador declarado, o paciente não receberá o tratamento adequado para que seus órgãos venham a ser doados.
          Além disso, existe também a falta de sensibilização da população com o assunto, pois, ainda não é amplamente discutido por toda a sociedade. Na Espanha - país campeão em doação de órgãos - por exemplo, há uma política governamental muito forte em apoio à causa. Nesse país, filmes como do cineasta Almodóvar, que abordam o tema, contribuíram para que as pessoas se sensibilizassem, fazendo com que as taxas de doadores aumentassem.
           Portanto, para que os índices de doadores sejam alavancados, é preciso que o assunto seja amplamente discutido e que a população seja sensibilizada. O Ministério da Saúde deve promover e intensificar campanhas de doação de órgãos nas mídias, como televisão e redes sociais, esclarecendo questões como a segurança do diagnóstico de morte encefálica e a quantidade de pessoas que serão beneficiadas com a doação. Além de, em parceria com agências de cinema como a Agência Nacional de Cinema (ANCINE), produzir filmes abordando tais questões, visando melhorar a quantidade de informação disponíveis à população. Dessa forma, a sociedade estará mais informada e sensibilizada, podendo assim, fazer com que o Brasil se torne referência na doação de órgãos.