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    Qualquer indivíduo com morte encefálica constatada é um potencial doador, e a lei brasileira, até o início do século, presumia que todos eram doadores. Entretanto, houve uma reformulação dessa lei em 2001, a qual transferiu para os familiares do paciente a responsabilidade de optar ou não pela doação dos órgãos. No cenário atual do Brasil, a taxa de doação aumentou consideravelmente, porém ainda é muito inferior a real demanda. Isso porque, não raro, há escaço repasse de informações concretas sobre o tema, apresenta-se falta de infraestrutura necessária para os procedimentos, entre outros motivos. 
       A morte cerebral não possui cura nem recuperação, e, oficialmente, é uma definição legal de falecimento. Contudo, muitas vezes, as famílias não possuem o conhecimento pleno sobre essa situação e não recebem de forma adequada- até mesmo dos hospitais- as informações corretas e básicas sobre a doação de órgãos, o que ocasiona temor e insegurança, através da própria dificuldade em compreender o conceito desse tipo de falecimento, ainda mais em um momento tão doloroso como a morte de um ente querido. Um efeito disso é que, atrelado a alta taxa de negação familiar pelo transplante, duas mil pessoas morreram à espera de doação de órgãos no Brasil em 2015, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
       Ainda vale lembrar que, diversas vezes, o local no qual o possível doador está não possui infraestrutura suficiente para realizar a remoção e o transplante do órgão, tornando-o não mais viável. Essa problemática ocorre, principalmente, pelo fato de que somente pequena parte dos grupos e instituições estão amplamente capacitadas a efetuar tais procedimentos, e essas, não raro, encontram-se nos grandes centros e na região sudeste- mesmo que o Brasil seja uma nação com vasta extensão territorial. A comprovação disso é que no primeiro semestre de 2017, 71% dos órgãos doados no país não puderam ser utilizados por causa desses motivos, segundo dados recentes divulgados.
       Dessa forma, é imprescindível que sejam tomadas medidas para resolver os dilemas da doação de órgãos no Brasil. A fim de que isso ocorra, é necessário que as equipes que atuam nos hospitais sejam melhor capacitadas, através de cursos e palestras oferecidas pelo governo ou pelas próprias instituições, para lidar corretamente com esse repasse de informações para os familiares de pacientes, bem como é de suma importância que a mídia, com seu papel influenciador, informe de maneira correta e incisiva a população sobre essa temática, por intermédio de, por exemplo, propagandas televisivas mais didáticas. Ademais, é preciso que o Estado direcione maior contingente de verbas para a saúde pública, além de disponibilizar aviões da FAB com o intuito de transporte de órgãos à longa distância.