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    Segundo o Artigo 5º da Constituição Federal brasileira, desde 1988, todo cidadão tem direito à vida. No entanto, passados 30 anos da elaboração desse documento, a sociedade ainda vivencia impasses para preservar a vida humana, especialmente, por meio da doação de órgãos. Nesse contexto, faz-se necessário superar os desafios para atender essa demanda social.
      O principal dilema para autorizar a doação é a recusa da família, visto que ela é quem decide a retirada dos órgãos do falecido. Quase metade dos familiares não permitem isso, de acordo com o jornal Estadão. Tal problema atrasa ainda mais a espera para o transplante de milhares de pessoas as quais poderiam ter uma vida mais confortável se o fizessem. Desse modo, embora seja um momento difícil para quem perde um ''ente querido'', doar órgãos, sem dúvidas significa um recomeço para outras pessoas. Nesse sentido, torna-se fundamental concordar com o escritor alemão Franz Kafka quando ele diz que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Logo, é urgente e necessário resgatar esse valor de solidariedade entre os indivíduos.
      Uma vez aptos à doação, nem todo hospital tem o suporte adequado para o transplante, principalmente os hospitais periféricos. Nesses a situação interna é precária, pois faltam equipamentos médicos, profissionais especializados, além de ter condições insalubres que, certamente, inviabilizam tanto o diagnóstico, como também a retirada dos órgãos. Somado a isso, casos de corrupção empatam para que haja mudanças na saúde pública, a exemplo do dinheiro apreendido em um imóvel ligado ao ex-deputado Geddel Vieira, conforme o jornal Aratu, que equivalia a 15 anos de doação ao Hospital da Criança na Bahia. Nesse cenário, é flagrante a complexidade para diminuir a fila de idosos, adultos e crianças pequenas esperando pelo transplante, já que o próprio sistema de saúde pública configura-se como um enorme obstáculo entre o doador e o receptor.
      Deve-se, então, superar as barreiras que interferem na doação de órgãos no Brasil, seja a desautorização da família, seja a fragilidade dos hospitais. Por isso, é imprescindível que a mídia, com o apoio de empresas famosas, promova campanhas educativas sobre doação de órgãos, através de propagandas televisivas em ''horário nobre'' que expliquem a importância disso e como ser doador, objetivando estimular famílias a discutir sobre o assunto. Ademais, é papel do Ministério da Saúde estender esse processo de doação por todo o país, contratando equipes especializadas em hospitais regionais e por meio de melhorias na infraestrutura com equipamentos e materiais necessários, tudo isso com as verbas do Estado, afim de que, em longo prazo, diminua a fila de espera para o transplante. Assim, dar-se-á o enfrentamento necessário dos dilemas da doação de órgãos.