Dilemas da doação de órgãos

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    Segundo a missionária Madre Teresa de Calcutá, ''O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá''. Nessa perspectiva, uma simples atitude pode mudar e salvar inúmeras vidas, tal como a família da youtuber e modelo Isabelly Cristine dos Santos que após ser baleada e morta em Paranaguá, no Paraná, teve seus órgãos doados para quatro pessoas. Entretanto, fatores comportamentais e estruturais impossibilitam as pessoas de serem mais generosas no Brasil.
        Em primeiro lugar, verifica-se que a recusa familiar é a principal causa para que um órgão não seja doado. Isso porque as famílias nunca conversam sobre a vontade de doar, já que a maioria não tem conhecimento de que a morte cerebral é irreversível e significa o óbito do indivíduo. Prova disso é a pesquisa de 2013 da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos afirmar que 47% das famílias se recusam a doar o órgão de parente com morte cerebral. Além disso, a escassez de informações provoca interpretações fantasiosas e colabora para que a população mais humilde se negue a permitir a doação. Assim, deixam de mudar uma situação de dor em esperança de vida para muitos cidadãos. 
       Em segundo lugar, nota-se a ausência de um aperfeiçoamento técnico-científico para a captação de órgãos e a realização de transplantes na área da saúde. De acordo com o presidente da Associação Paulista de Medicina, Jorge Carlos Machado Curi, isso ocorre pela falta de previsão e de financiamento nessa fase de atendimento ao paciente grave. Uma vez que a rapidez na conclusão do laudo influencia  diretamente no sucesso do transplante, pois a interrupção dos batimentos cardíacos, por exemplo, de fato impede o aproveitamento do coração. Nesse sentido, o país não está preparado, hoje em dia, para proporcionar um sistema de transplante maior do que o atual. 
       Fica evidente, portanto, que a redução de doadores nos país é fruto da negação familiar do potencial doador e de uma insuficiente estrutura no setor de saúde. Logo, é necessário que o Governo Federal promova a campanha Setembro Verde na TV, rádio, internet e redes sociais durante o ano todo, com o propósito de mostrar a segurança que o processo de transplante envolve e conscientizar a população sobre a necessidade da doação de órgãos para salvar vidas. Ademais, o Ministério da Saúde deve garantir investimentos e recursos para a adequação da estrutura dos hospitais recorrendo a ampliações e contratação de profissionais, como assistentes sociais, capazes de acompanhar a família do possível doador para esclarecer suas dúvidas e permitir a ela escolha voluntária de doar ou não. Só assim a generosidade será exercida em sua plenitude.