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    “O alienista” conta a saga do cientista Simão Bacamarte que, por amor à sua única profissão - a ciência, escolhe sua esposa tão somente por julgá-la capaz de lhe gerar descendentes fortes e saudáveis, entretanto, acabam por não ter nenhum filho sequer. Hodiernamente, a ironia machadiana acerca do método científico parece dialogar com a questão da doação de órgãos no Brasil, haja visto que os dilemas acerca dessa decisão permanecem arraigados na mentalidade dos brasileiros, seja pela replicação de valores tradicionais, seja pela falta de informações dadas pelos especialistas. 
          Mormente, convém compreender a sociedade. Consoante ao pensamento do sociólogo Max Weber, as ações sociais advém do imaginário coletivo. sob essa ótica, é válido inferir que, para garantir a popularização efetiva da doação de órgãos, algumas ideias ultrajadas acerca do tema necessitam ser esclarecidas. Dentre elas, a concepção da possibilidade de a junta médica não esforçar-se para preservar a vida de um doador de órgãos em um momento de emergência, por exemplo. Sendo esse um dos questionamentos mais frequentes à Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ATDO), que reitera se tratar de uma falsa percepção.
          Outro quesito é o insuficiente esclarecimento por parte dos agentes de saúde. Óbitos por morte encefálica são muito frequentes, ocorrem quando há perda completa e irreversível das atividades cerebrais. Entretanto, muitos familiares, cientes do funcionamento dos demais sistemas corpóreos, idealizam a possibilidade de cura do ente querido. Impedindo, portanto, a possibilidade de transplantes por conta de uma má orientação. 
          Diante do exposto, urge a necessidade da adoção de medidas para resolução da problemática. O Governo, em parceria com o Ministério da Saúde, deve financiar projetos de conscientização por meio de uma ampla divulgação midiática, que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e abordagem do tema em telenovelas. Nesse sentido, o intuito do procedimento, é trazer à população subsídio necessário para elucidar sua decisão de doar ou não seus órgãos postumamente. Assim sendo, a descrença no sistema científico, dará lugar à compreensão da importância desse, tanto pelo âmbito da literatura, quanto no cotidiâno dos brasileiros.