Dilemas da doação de órgãos

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    No romance de Machado de Assis “O alienista” é narrada a história do cientista Simão Bacamarte que, se casa e escolheu sua esposa somente por julgá-la capaz de lhe gerar bons descendentes, conquanto, ela acaba não tendo nenhum sequer. À vista disso, é perceptível que a ironia machadiana retrata também as atitudes da sociedade hodierna, posto que, a problemática do escasso progresso na questão de doação de órgãos no Brasil se deve, sobretudo pela falta de solidariedade por parte da população e pela falta de informação adequada sobre esse dilema.   
      Mormente, para Max Weber, a ação social é aquela que é orientada ao outro, logo, é válido inferir que, para garantir o avanço de doações de órgãos, é necessário o esclarecimento de algumas ideias equívocas sobre essa temática, bem como, uma melhor preparação dos profissionais da saúde para realização de transplantes, posto que, segundo dados do Ministério de saúde, existem apenas 400 unidades prontas para atuarem nessa área. Por conseguinte, muitas pessoas cogitam a hipótese de ser um doador parcial declarado advindo da desconfiança do serviço público de saúde, e com isso, receiam não ter o tratamento adequado para que seus órgãos sejam doados. Vale salientar que, uma pessoa com morte encefálica é um potencial doador, todavia, a maioria das famílias se negam que os órgãos sejam retirados para transplante. Isso advém da série de dilemas éticos enfrentados em virtude do sofrimento da perca de um parente, como também, pela falta de esclarecimento preciso sobre o funcionamento do processo.
     Convém mencionar, que consoante o raciocínio de Émile Durkheim, a educação tem por objetivo a suscitação e o desenvolvimento de estados físicos e morais do indivíduo que são requeridos pela sociedade. Sob essa ótica, os ambientes escolares compõem a essência da formação dos valores dos indivíduos, contudo, o estímulo no que tange à doação de órgãos, é pouco abordado, dessarte, muitas convicções são vistas de forma errônea, e como consequência, suscita à redução da cooperação do corpo social no encadeamento da doação de órgãos. 
     Diante dos fatos supracitados, é impreterível que a Escola promova a formação de cidadãos solidários e informados por intermédio de palestras e debates, que envolva a família, a respeito desse tema, visando criar um contato entre a comunidade escolar e os centros de saúde através de visitas hospitalares. Ademais, é imprescindível que o Poder Público destine maiores investimentos à capacitação de profissionais na área da saúde para realização de transplantes, tal como, melhorias estruturais nos hospitais. Somando-se a isso, é preciso de ações midiáticas com o fito de informar e incentivar o aumento de doadores, a fim de promover uma maior expectativa de vida para os doentes.