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    Segundo Durkheim, a solidariedade orgânica das sociedades modernas dilui o sentimento de semelhança entre os indivíduos. É nesse contexto que se assenta o dilema da doação de órgãos no Brasil, reflexo da falta de informação familiar e do frequente despreparo da equipe médica para a abordagem das famílias, o que reduz a doação de de órgãos e incita sua mercadorização. 
       Diante disso, é indubitável que a falta de espaços de diálogo com as famílias a respeito dos transplantes esteja entre as causas desse problemática. Segundo Anísio Teixeira, intelectual brasileiro, a escola é responsável não apenas pelo desenvolvimento de ideias, mas também pela construção de atitudes. Seguindo tal premissa, a falta de disseminação de informações, como o conceito de morte encefálica, no ambiente escolar para pais e alunos, o que normalmente se restringe às campanhas midiáticas, contribui para a descrença do óbito encefálico e, assim, para a recusa familiar à doação, reduzindo o saldo de órgãos para o transplante, o que incentiva sua venda e compra nos mercados ilegais difundidos pelo mundo. 
        Ademais, a abordagem frequentemente grosseira da equipe médica com os parentes do possível doador também agrava tal quadro. Prova disso é que, nas regiões onde essa prática desumana não ocorre, o índice de doações é maior, a exemplo do estado de Santa Catarina que triplicou o número de transplantes após implantar uma estratégia na qual médicos e enfermeiros além de identificarem possíveis doadores, também realizam o apoio familiar no momento da perda. Esse despreparo dos profissionais para prestar assistência psicológica as famílias é reflexo de uma formação desumanizada, biomédica, que reduz a empatia. 
         Diante disso, as dificuldades para doação de órgãos no Brasil relaciona-se à questões educacionais. Dessa forma, as Secretarias de Educação em parceria com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos deve desenvolver nas escolas rodas de conversas com os pais e alunos a respeito da doação de órgãos a fim de levar informações e desmistificar a morte encefálica. O Ministério da Educação deve, ainda, inserir na grade curricular dos cursos de graduação da área de saúde matérias e núcleos temáticos que promovam o diálogo entre os futuros profissionais e seus pacientes para desenvolver a empatia dos primeiros com os últimos.