Dilemas da doação de órgãos

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    Em 1954, o médico cirurgião Joseph Murray realizou o primeiro transplante de órgãos humano. Todavia, mesmo que esse acontecimento tenha consolidado um marco na medicina, a prática da doação de órgãos no Brasil ainda plenteia intempéries, uma vez que a ausência de informações aflige diversas famílias. Ora, a transparência na realização de transplante, garante a confiança e beneficia o pleno exercício do altruísmo.
      Nesse viés, a insuficiente aprovação das famílias para a realização de cirurgias de transplante, coopera com o baixo índice de doações no Brasil, visto que a incompreensão da morte encefálica, a desconfiança no sistema público de saúde e a religião, limitam as escolhas familiares, que culmina como fator oportuno para o aguardo prolongado de pacientes na fila de espera. Prova disso, são os dados levantados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, nos quais 47% das famílias recusam a doação, contradizendo aquilo que o escritor Franz Kafka afirma, “a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Desse modo, a permissão de doações filantrópicas por parte dos familiares, ajuda a salvar vidas, ora antes subjugadas.
      Ademais, a falta de preparo das equipes médicas em fazer a comunicação aos parentes sobre a morte encefálica do paciente e a transparência quanto ao processo cirúrgico, constituem a recusa familiar, pois a hesitação em receber a notícia do óbito e a desconfiança no fato de que certamente será transplantado a um paciente da fila de espera ainda possui aspectos obscuros, devido ao alto índice de transplante e vende de órgãos ilegais. Assim como afirma o ex presidente dos Estados Unidos, Thomas Jerfeson, “ a honestidade é o primeiro capítulo no livro da sabedoria”. Logo, exercer a prática da doação de órgãos no Brasil, implica romper as barreiras entre a desinformação e o amparo.
      Visando portanto, que isso seja reflexo na sociedade, convém que a consciência das famílias seja lapidada, através da difusão de informações, como palestras e fóruns realizados por médicos e cirurgiões em escolas, universidades e mídias sociais, a fim de que a noção e a segurança acerca dos procedimentos cirúrgicos facilite o aumento de autorizações familiares para doações no país. E que os hospitais que realizam transplante de órgãos, como o Euryclides de Jesus Zerbini em São Paulo, possam ser mais transparentes quanto as cirurgias, informando às famílias o passo a passo e realizando testes que confirmem a morte do paciente, para que não ocorra mais o tráfico ilícito de órgãos no Brasil. Pois como afirma o filósofo John Stuart Mill, “ sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano”.