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    A série americana ‘’ Greys Anatomy’’, produzida por Shonda Rhimes, relata o dilema do personagem Denny Duquete em conseguir um doador para realizar o transplante do coração. Análogo a isso, milhares de pessoas no Brasil se encontram na situação de Denny, que esperam anos por um transplante e acabam chegando a óbito, devido à falta de pessoas solidárias para salvar uma vida. De fato, é o esvaziamento do espírito altruísta em ascensão. 
           Nessa perspectiva, a ausência de comunicação entre os integrantes da família dificulta a doação de órgãos. Conforme o nefrologista José Medina, a falta de doação possui suas raízes fixadas na carência de diálogo entre os familiares. Nesse sentido, quando o indivíduo chega a óbito por morte encefálica e não expressou o seu desejo de doar, consequentemente a família por questões religiosas acredita no milagre ou ressurreição, impedindo que a doação seja realizada. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos(ABTO), no ano de 2016 43% das famílias não autorizaram a doação das pessoas com morte encefálica. Desse modo, enquanto não houver uma comunicação efetiva entre os membros da família, a fila de transplantes perpetuará. 
          Ademais, a falta de transparência do programa de doação, a desconfiança em relação às fraudes e os casos de corrupção dificultam a doação. Os constantes casos noticiados de que muitos órgãos são destinados ao mercado ilegal, descumprindo o regulamento ético que não permite privilégios de pessoas em detrimento de outras contribuem para desestímulo e o aumento da fila de espera. Prova disso, o caso noticiado na imprensa na cidade do Rio de Janeiro no ano de 2015, um lugar na fila de espera do fígado era vendido por até 250 mil reais. Logo, é necessária uma parceria público-privado que crie um sistema moderno que mostre o próximo da lista de forma clara e transparente, com o intuito de incentivar outras pessoas realizarem esse gesto caridoso.
           Cabe, portanto, ao Ministério da Saúde a contratação de médicos para realizarem palestras nas escolas, fóruns e empresas, com o intuito de despertar o interesse da doação e informar sobre a importância de conversar com a família a respeito de salvar outra vida. Outrossim, a Secretária Especial de Comunicação Social(Secom) deve promover campanhas publicitárias nos principais veículos de comunicação, televisão e internet, informando os procedimentos necessários, qual instituição procurar e o requisitos básicos para a doação, com o objetivo desmitificar a doação de órgãos. Dessa maneira, o Brasil terá uma sociedade solidária e altruísta, existindo menos indivíduos na mesma situação de Denny Duquete.