Dilemas da doação de órgãos

Envie sua redação para correção
    O Iluminismo possibilitou o uso da razão em detrimento aos ideais religiosos no século XVII. Ao longo dos anos, a sociedade evoluiu e se desenvolveu, apesar de alguns resquícios permanecerem. Nesse contexto, a doação de órgãos no Brasil encontra obstáculos, seja pela negativa da doação por parte dos familiares, seja pela falta de infraestrutura e informação. Desse modo, é imprescindível a adoção de políticas que ampliem as doações
          Em primeiro lugar, a Lei de Transplantes de 1997 sofreu significativa alteração em 2001, cuja doação presumida foi descartada e a vontade de doar seus órgãos só se tornou possível com a autorização da família. Dessa forma, o desejo do cidadão pode não ser respeitado, em decorrência de uma herança histórica e cultural, por questões religiosas, falta de informação e solidariedade e, muitas vezes, por ignorância. De acordo com Durkheim, a solidariedade social é fruto da consciência coletiva, cujas ações são induzidas e monitoradas por leis e normas. Portanto, é preciso rever essa lei e propor melhorias para ampliar a doação de órgãos no país. 
          Outrossim, a burocracia, a falta de infraestrutura e o manejo dos órgãos a serem transplantados também constituem entraves à doação no Brasil. Dessa maneira, a falta de qualificação técnica e de mecanismos eficazes e rápidos de transporte, além da lentidão na liberação dos órgãos e da desinformação da população acerca do assunto são empecilhos para a efetivação das doações. Segundo o Sistema Nacional de Transplantes no Brasil(2017), o número de pessoas à espera de um transplante é muito maior do que o número de doadores, o que configura a necessidade de das celeridade e incentivar doações. 
          Para atenuar essa realidade, o Estado, por meio do Ministério da Educação e da Saúde, aliado à instituição familiar, deve inserir na cultura do brasileiro a necessidade e a importância da doação de órgãos, com base na educação, através de diálogos, discussões, palestras e campanhas publicitárias. Nesse ínterim, uma conscientização e sentimento de solidariedade é desenvolvido no cidadão e em toda sua família, o que leva à ampliação nas doações. Ademais, o Poder Legislativo deve rever a Lei de Transplantes e possibilitar a mudança de paradigma acerca da doação de órgãos, ao transferir a decisão de doar ou não ao indivíduo. Além disso, devem ser criados mecanismos que reduzam a questão burocrática e proporcionem qualificação técnica e melhoria nas infraestruturas dos hospitais, por meio de cursos, investimentos, palestras, para assim, dar celeridade ao processo e salvar vidas.