Dilemas da doação de órgãos

Envie sua redação para correção
    Grey's Anatomy é um seriado estadunidense transmitido pela ABC que tem sua trama desenvolvida em um hospital. Um dos assuntos tratados pela série são as dificuldades que envolvem o procedimento de transplante de órgãos nos Estados Unidos, sendo a recusa familiar o principal problema. No entanto, o Brasil além de lidar com o baixo índice de autorização familiar, por vezes, não possui a infraestrutura hospitalar necessária para o procedimento, diminuindo mais ainda a quantidade de transplantes realizadas anualmente no país.
         A doação de órgãos só é possível quando há a morte encefálica, ou seja, lesão irrecuperável do encéfalo que interrompe qualquer atividade cerebral. Nessa situação, desde que o paciente seja ligado aos devidos aparelhos, o coração continuará a bater, permitindo assim que os demais órgãos sejam oxigenados e conservados para a doação. Logo, o conceito de morte cerebral ainda causa confusão entre os familiares, pois ver a pessoa com o coração e os demais órgãos funcionando dificulta a compreensão de que ela já está morta. Aliado a isso tem-se a religiosidade que alimenta a crença em milagres, onde a pessoa poderá voltar a vida a qualquer momento, o que impossibilita o desligamento dos aparelhos e ainda mais a retirada dos órgãos, ou seja, inviabiliza a doação. 
          Além disso, dados disponibilizados pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos informam que o Brasil desperdiça cerca de 50% dos órgãos disponíveis para transplante por falta de notificação da morte encefálica, despreparo da equipe médica ao lidar com os familiares, inexistência de equipamentos necessários para manter os órgãos conservados e principalmente por falta de transporte aéreo. Dessa forma, pode-se concluir que mesmo quando existe a doação, o órgão provavelmente se perderá durante o processo. Infelizmente essa situação banaliza o sofrimento dos familiares que por empatia aceitam realizar o procedimento, e também banaliza a vida de alguém que espera durante anos ou décadas por essa oportunidade.
         Diante do exposto, é evidente a necessidade de medidas para resolver o problema. É preciso que o Ministério da Educação se responsabilize por incluir medidas educativas no ensino fundamental e médio sobre a importância da doação de órgãos e sobre a caracterização da morte encefálica, por meio de seminários ou estudos dirigidos. Ademais, é necessário um maior investimento do Estado na infraestrutura hospitalar brasileira, isso deve ser feito por meio da criação de grandes centros de transplantes inseridos nas regiões metropolitanas no país, para que estas se responsabilizem pelo transporte, atendimento familiar e pela conservação desses órgãos, nas capitais e nas regiões interioranas aproximadas.