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    A morte que prolonga a vida
      De janeiro à setembro de 2012, 6000 pessoas em todo o país foram diagnosticados com morte cerebral, condição do falecimento em que a atividade do cérebro cessa e o paciente  só se mantém vivo por ação externa, o que possibilita a doação de órgãos. Porém, apenas 1800 desses pacientes se tornaram doadores. É essa baixa adesão, que também ocorre de maneira generalizada no resto do país, que nos leva a discutir sobre os dilemas da doação de órgãos.
      O primeiro e mais abrangente impasse é a desinformação. Há a escassez de conhecimento sore o processo de doar, tanto na mídia quanto nas escolas, além da falta de compreensão sobre o que é a morte cerebral e a ausência de comunicação daqueles que desejam se tornar eventuais doadores com a família.
      Parte dessa desinformação gera o medo do tráfico de órgãos. Grande parte da população acredita em esquemas de proporções exageradas e vítimas condenadas ao acaso, quando o que acontece é algo bem menor do que o imaginado, principalmente no Brasil, onde há total transparência no destino dos órgãos doados.
      Além disso, é necessário também prestar atenção à precária  infraestrutura hospitalar que o Brasil enfrenta. Sem condições adequadas, é impossível que se realizem as doações, mesmo que se tenha conhecimento do processo e que se expresse a vontade do doador e da família.
      Dessa forma, fica claro que devemos resolver os dilemas da doação de órgãos. Para reverter o quadro atual, é necessária a educação das pessoas, tanto por meio da mídia quanto pela escola, divulgando campanhas informativas e incentivando discussões no campo acadêmico. O governo também deve contribuir investindo na infraestrutura hospitalar e na fiscalização das doações. Por conseguinte, o Brasil se verá livre dos impasses que dificultam o prolongamento da vida pelo ato de doar.