Dilemas da doação de órgãos

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    Profecia futurística
          Em meados do século passado, o escritor austríaco Stefan Zweig chegou ao Brasil. Impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é, até hoje, repetido:"Brasil, um país do futuro". No entanto, ao se observar que a doação de órgãos permanece como um tabu em meio à sociedade, nota-se que a profecia ainda não foi cumprida. Desse modo, faz-se necessário pautar suas verdadeiras causas para que essa problemática seja solucionada.
       Em primeiro plano, é indubitável que a falta de acesso à informação corrobora para o desconhecimento da relevância de doar. Por ser uma via massiva de comunicação, a mídia é delegada ao papel social de difusora de conhecimento, sendo uma de suas funções principais a formação de senso crítico e opiniões. Como campanhas publicitárias a respeito de doações de órgãos não são frequentes nesse veículo comunicativo, não há uma ampla divulgação à população dos seus benefícios e da demanda por transplantes, o que contribui para a rejeição à essa prática. Assim, torna-se válida, também, a máxima de Jean-Paul Sartre:"o homem é produto do meio em que está inserido".
           Outrossim, destaca-se a participação domiciliar como um dos impulsionadores desse problema. A Constituição brasileira, até 1997, presumia que todos os brasileiros eram doadores, porém ocorreu uma reformulação que transferiu para os familiares do paciente a responsabilidade sobre seus órgãos. Portanto, percebe-se que há a probabilidade, em muitos casos, de que, mesmo sendo a doação o desejo do indivíduo, se tenha um entrave por parte da família, devido às questões éticas, morais e religiosas, as quais podem ser consequência direta da desinformação em relação ao procedimento e suas resultantes.
            Torna-se perceptível, por conseguinte, que o dilema da doação de órgãos, além de socialmente prejudicial, é fruto, principalmente, do escasso acesso ao conhecimento acerca desse processo. Logo, para modificar esse cenário, é fundamental a aplicação de anúncios de abrangência nacional, junto às emissoras abertas de tv, que denotem a importância da doação e a quantidade de pessoas que apenas uma consegue ajudar, visando à conscientização em massa. Ademais, o Governo Federal deve investir na identificação de doadores, implementando essa opção no momento da formulação de suas carteiras de identidade, com o objetivo de oportunizar aos indivíduos um método de deixar claro a sua vontade. Dessa forma, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade no presente.