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    No livro "O Melhor de Mim", de Nicholas Sparks, a doação de órgãos é abordada de maneira romantizada, sem expor as dificuldades do processo. Contudo, no contexto real, os indivíduos que necessitam de algum transplante não são devidamente amparados pelo sistema de saúde. Dessa forma, os dilemas acerca do tema estão relacionados ao óbito de muitos pacientes. Assim, é importante que haja a mobilização social e governamental para reverter esse quadro.
          Convém analisar que o baixo número de doadores é o principal impasse para a doação de órgãos. De acordo com o escritor Franz Kafka, a solidariedade é a representação do respeito a dignidade humana. Por esse pressuposto, a negação - seja pelo paciente, seja pelos familiares - em ser um doador, além de um desrespeito, também é responsável pelas longas filas para transplantes. Por outro aspecto, o déficit no sistema de captação  e a burocracia envolvida na doação funcionam como inviabilizadores do processo. Mesmo assim, devido a uma série de campanhas, o Brasil apresentou um aumento de 63,8% no número de transplantes, conforme pesquisa da EBC. Com isso, é evidente que essa mudança de postura precisa ser ampliada.
          É válido ressaltar, ainda, que a insuficiente doação de órgãos promovem consequências também no âmbito criminal. Análogo a Terceira Lei de Newton - em que uma força exercida possui uma reação de igual intensidade -  a baixa oferta para os transplantes tem como reação o incentivo ao tráfico. Isso porque devido devido à gravidade do estágios dos pacientes, muitas famílias optam pelo comércio ilegal. Além disso, a saúde publica e a longevidade da população são diretamente comprometidas pela dificuldade em realizar transplantes. Por conseguinte, nota-se que o ato de ser um doador não é benéfico apenas para os pacientes transplantados.
          Fica claro, portanto, que, para tornar o contexto do filme supracitado mais adequado a realidade, é premente que as instâncias sociais ajam em conjunto. Para isso, o Ministério da Saúde deve promover a profissionalização do sistema de captação de órgãos e agilizar os processos burocráticos, com o intuito de aproveitar melhor as peças disponíveis para doação. Somado a isso, é viável que as escolas incentivem o ato de amor ao próximo, por intermédio de palestras e campanhas. Paralelamente, a mídia, em parceria com as ONG's, devem informar sobre a necessidade de ser um doador e, também, acerca da importância de comunicar essa decisão aos familiares.