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    Na série médica norte-americana “Grey’s Anatomy”, retrata-se frequentemente o dilema da doação de órgãos e as posições dúbias dos familiares perante a situação. Fora da ficção, esse é um problema que o Brasil deve ser incumbido de administrar, pois significaria diminuição das filas de espera por transplantes e mais vidas sendo salvas. Nesse viés, é preciso desconstruir o tabu da doação de órgãos na sociedade e formar equipes profissionais devidamente capacitadas para lidar com os casos.
           Em primeiro plano, cabe destacar que a falta de diálogo sobre o assunto no cotidiano das famílias contribui para a não doação. Desde 2001, no país, a responsabilidade de decisão sobre o destino do corpo dos indivíduos passou a ser exclusivamente dos seus entes próximos, antes todos eram considerados potenciais doadores. Sendo assim, sem um direcionamento pré-decidido e discutido, a opção pelo ato é dificultada devido a ocasião delicada em que é solicitada. Desse modo, é preciso que se desenvolva a consciência coletiva para a captação de novos doadores e para a inserção do assunto no dia a dia dos brasileiros. 
          Outrossim, destaca-se também o despreparo das equipes responsáveis ao contatar as famílias sobre as possibilidades. Em um país de raízes altamente religiosas, diagnósticos como a morte encefálica -na qual é possível a doação- são de difícil compreensão e a crença na reversibilidade do quadro afeta e compromete as captações. Por isso, é preciso que haja todo tipo de apoio profissional necessário e que as informações e esclarecimentos sejam abundantes para melhorar a adesão a esse ato solidário no cenário nacional.
           Infere-se, portanto, que maiores investimentos na conscientização e nos suportes envolvidos se fazem necessários para resolução desse impasse. Para isso, o Ministério da Educação e o da Saúde devem promover maior ênfase, nos cursos de graduação de médicos e enfermeiros, nas práticas de como lidar com familiares de pacientes de maneira mais coerente e humanizada, oferecendo todo o amparo e esclarecimento possível diante da possibilidade de doação de órgãos. Ademais, o Governo Federal deve incentivar, por meio de parceria, que grandes emissoras de televisão aberta explorem em peças de teledramaturgia a questão do drama das pessoas cuja vida depende de uma doação de órgão, dessa forma, através da sensibilização de um público em massa, a discursão do tema ganharia visibilidade, conhecimento e, potencialmente, adesão.