Dilemas da doação de órgãos

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    Uma Nova Esperança
            De acordo com o autor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nessa perspectiva, um doador de órgãos pode salvar até dez vidas, o que confirma a importância da doação de órgãos. No entanto, as doações são insuficientes diante da demanda, no Brasil. É necessária a análise das causas e consequências deste fato, assim como medidas para reversão deste problema.
             Em primeiro lugar, é importante ressaltar o tabu que existe em nossa sociedade sobre os temas relacionados à morte, principalmente, a respeito da doação de órgãos. Muitas pessoas acreditam que ao se tornarem doadoras, os médicos anteciparão sua morte. Com isso, muitos indivíduos não manifestam seu interesse de ser um doador para a família.
           Somado a isso, existe o fator religioso que contribui para essa problemática. Mesmo com mais de 35 mil pessoas na fila de espera para o transplante, muitos crentes se negam a fazer a doação, pois acreditam na ideia de que o corpo deve permanecer inviolável mesmo após a morte. Antes de simbolizar uma crença religiosa, esse pensamento sugere puro egoísmo com milhares de pessoas que sofreram algum acidente ou doença e veem na doação uma nova oportunidade de vida. Segundo o art.III da Declaração Universal do Direitos Humanos, todo indivíduo tem direito à vida.
            Infelizmente, 5% dos transplantes realizados no mundo é fruto do comércio e tráfico de órgãos. Como a disponibilidade de órgãos para transplante não acompanha a demanda, o tráfico de órgãos tornou-se uma alternativa ilegal e criminosa para conseguir uma outra chance de viver. O mercado paralelo de tráfico de órgãos, hoje, é uma problemática global, que envolve vários países como Canadá, EUA, Índia e Brasil. É necessário o combate desta alternativa, já que os procedimentos são inseguros para o doador e o receptor, além da mercantilização da vida.
             As barreiras e as consequências que interferem na doação, portanto, devem ser combatidas com urgência. Cabe ao Ministério da Saúde intensificar as propagandas de conscientização e desmistificação nas redes sócias, televisão e outdoors, a fim de incentivar os cidadãos a exercer solidariedade e conversar com seus familiares a respeito da doação. Assim como, a escola e ONGs podem promover palestras e rodas de discussão com a comunidade para debater o tema e gerar reflexão sobre a importância de ser um doador. Ainda, é preciso que a Polícia Federal fiscalize com maior rigor o tráfico de órgãos, com o objetivo de prevenir e reprimir tal crime. Dessa forma, será possível que da dor da perda nasça uma nova esperança de vida