Dilemas da doação de órgãos

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    Dialética hegeliana, uma crise na doação de orgãos
          A constante ausência de orgãos disponíveis para transplante retrata uma realidade que pode ser facilmente modificada: o baixo número de doadores no Brasil. A incapacidade de abastecimento dos hospitais impede a garantia à vida, que sofre frente a negligência dos grupos sociais, que se recusam a participar de tal avanço da medicina, que é capaz de aumentar a longevidade da população. Portanto, a recusa de familiares de doarem os orgãos de um ente falecido, torna a situação um grave problema de saúde pública.
          Diante de análise histórica, é perceptível a congruência hegeliana com a conjuntura brasileira no que tange o transplante de orgãos. Para Hegel, filósofo prussiano, os eventos históricos seriam componentes primordiais na formulação do futuro próximo, tornando o destino inexorável. Nessa perspectiva é visível a relação entre a recente separação da Igreja do  Estado após a proclamação da república em 1889, a manutenção dos valores religiosos como determinantes nas relações sociais, impedindo a utilização de técnicas biomédicas, como o transplante de orgãos de falecidos, rejeitado por significativa parcela da população devido à religião.
          A criação e perpetuação de tabus é inerente a natureza humana, que busca marginalizar assuntos cujas opiniões são controversas. Entretanto, faz-se necessário na contemporaneidade a desconstrução de tal hábito, que retarda o progresso do bem estar social. Tal questão aplica-se a dificuldade de debater as ações dos familiares após a morte de um destes, impedindo a doação de orgãos e consequentemente o direito inalienável que segundo John Locke, filósofo inglês, é o pilar da civilização contemporânea: a vida.  
          Visando a ampliação do número de doadores de orgãos, é imprescindível por parte do Estado, a conscientização no que diz respeito a ampla importância  de doadores e a necessidade de manifestar-se com seus familiares, por meio de campanhas socioeducativas. Outrossim, é elementar que a sociedade civil organizada distingua os valores religiosos da vitalidade dos transplantes de orgãos, via a utilização da criticidade, promovendo a garantia do direito a vida. Pois, como descrito por Steven Pinker, escritor norte-americano, "A característica definidora do ser humano é a capacidade deste de pensar no futuro da sociedade".