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    A minissérie Sob Pressão, da rede Globo, em um de seus episódios retratou a história de um jovem em estado de morte cerebral, cuja mãe relutava em aceitar a proposta de doação de órgãos, apesar dos esforços dos médicos em explicar a importância do ato. Fora da teledramaturgia, infelizmente, a maioria dos brasileiros tende a repetir essa cena. A falta de divulgação a respeito, a descrença e o descontentamento com a saúde pública do Brasil e a falta de conhecimento no que diz respeito a alguns quadros clínicos terminais, são algumas das causas que tornam o tema um dilema desconhecido e ao mesmo tempo amedrontador. 
          A negação e relutância de grande parte do segmento social em doar órgãos de um familiar deve-se ao fato de que a ação não faz parte da cultura do povo brasileiro e é alarmantemente desconhecida, uma vez que é baixíssimo o número de conteúdos midiáticos brasileiros que tratam do dilema e é pequena ou quase nula a quantidade de discussões nas escola sobre a temática, o que a transforma em um tabu difícil de ser quebrado em um momento tão difícil e desesperador que é a morte de um familiar.
          Além disso, o estado de ineficiência e calamidade em que se encontra o Sistema Único de Saúde (SUS) incidem em uma crescente descrença no serviço oferecido, o que faz com que muitas pessoas - também por falta de conhecimento - não confiem até mesmo no diagnóstico do médico e na irreversibilidade de alguns quadros terminais, como a morte cerebral, e acreditem na cura do familiar, acabando com a chance de vida de outra pessoa na fila de espera de transplantes - uma morte ocasionada pela falta de conhecimento. 
          Sendo assim, o Estado deve investir em mais infraestrutura e qualidade do serviço do SUS, buscando maior assistência e credibilidade perante a sociedade. Da mesma forma deve, também, melhorar a qualidade da educação oferecida para que o conhecimento fomente a solidariedade. Somado a isso, Ministério da Saúde, em parceria com agentes midiáticos, deve incentivar a produção de propagandas sobre a importância da doação de órgãos, visando aumentar a circulação de informação a respeito. Essas e outras ações para que a doação de órgãos deixe de ser um dilema, pois como afirmou Newton, na lei da Inércia, se nenhuma força for aplicada em um corpo, este tende a permanecer no estado em que se encontra.