Dilemas da doação de órgãos

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    Precisa-se de amor compatível
          Cada vez mais o ser humano desenvolve os diversos ramos da ciência, dentre eles a Medicina. Um grande exemplo dessas inovações é o transplante de órgãos, que já teve parte até mesmo na história dos Santos Cosme e Damião, uma vez que dentre os milagres atribuídos a eles está a cura de um homem por meio de um transplante de perna. Contudo, embora essa prática possibilite salvar vidas, na atualidade muitos se negam a contribuir. Mesmo que com a tecnologia atual o processo seja realizado mais facilmente, a doação de órgãos ainda enfrenta muitos dilemas e, enquanto isso, pessoas morrem em filas de espera.
          Contanto que hajam órgãos disponíveis, pessoas compatíveis podem ser salvas. Esta era a verdade até 1997, quando a lei presumia que todos os brasileiros eram doadores. No entanto, uma reformulação na lei em 2001 transferiu para os familiares a responsabilidade sobre os órgãos. Desde então, milhares de pacientes foram diagnosticados com morte encefálica, mas a maioria não se tornou doador. Uma das razões para essa situação é a desinformação. Como ocorre morte cerebral, mas o corpo ainda funciona com ajuda de aparelhos, muitas famílias se negam a aceitar a perda do ente querido ou passam por dilemas éticos e optam por não doar.
          Ademais, é possível citar casos em que a doação não ocorre por indiferença ao assunto. Diante desse cenário, pode-se realizar um paralelo com as teorias propostas por Erich Fromm, sociólogo da Escola de Frankfurt. Segundo ele, as interações sociais perderam a dimensão humana, resultando em um sentimento de desamparo no homem moderno. Fromm defende que à medida que o homem avança materialmente, se afasta de outros, fato que ele denomina alienação social. Analogamente, percebe-se na sociedade contemporânea o descaso pela doação de órgãos, já que os seres humanos se encontram desprovidos de empatia e não correspondem à necessidade do próximo.
          Diante do apresentado, conclui-se que o conhecimento e a alteridade são de extrema importância para aumentar o número de órgãos doados, visto que esses elementos possibilitam o fim da alienação social. Para tanto, é fundamental que os médicos tenham uma relação próxima com os pacientes e seus familiares de forma a guiá-los e incentivá-los quanto a prática, indicando um acompanhamento psicológico, caso necessário. A inclusão do tema na grade curricular do ensino fundamental se mostra igualmente essencial. Dessa forma, as crianças, além de compreenderem situações como a morte encefálica, também entenderão importância da doação de órgãos.