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    Para Mahatma Gandhi, indiano pacifista, o futuro depende daquilo que se faz hoje. Nota-se, por conseguinte, que essa afirmação é pertinente ao tema de doação de órgãos, tendo em vista a possibilidade de salvar inúmeras vidas com apenas um ato. Entretanto, no Brasil, inúmeros cidadãos morrem diariamente aguardando a transplantes de órgãos doados devido à baixa frequência de doadores brasileiros. Nesse cenário, torna-se imperativo debater acerca dos possíveis caminhos para combater os empecilhos desse gesto solidário. 
      A princípio, vale pontuar que o insuficiente estímulo do Poder Público agrava a escassez de doação de órgãos. É incontrovertível que após a morte todos os seres vivos entram em decomposição, tornando-se apenas matéria orgânica. No entanto, o destino dado aos constituintes desse organismo que não é mais funcional pode ser outro, como a utilização por outras pessoas através da doação, um ato solidário e eficiente para salvar outras vidas. Desse modo, nota-se que a falta de conhecimento sobre o assunto, devido à baixa divulgação e pequeno incentivo pelo Governo Federal, atuam como agravantes no número de doadores de órgão no país, como comprova a recusa em doar em cerca de 63% da população brasileira, conforme dados da BBC. 
      Ademais, convém frisar que a indisponibilidade de órgãos legais para transplantes insistam atos criminosos, como a venda desses no mercado ilegal. Comprova-se a existência do tráfico de órgãos e o perigo que o mesmo representa através da pesquisa feita pela Revista Galileu, a qual aponta crescimento de 2% ao ano nesse comércio ilegal que frequentemente coloca a tanto saúde do doador em risco quanto o furto de órgãos de pessoas saudáveis sem seu consentimento. Dessa maneira, é indubitável que esse cenário se reverta, tendo em vista a lei constitucional que proíbe essa ação. Para Jean-Paul Sartre, a violência é uma derrota para uma nação, independente da forma como ela se manifeste, contextualizando ao tema, percebe-se o insucesso do país ao observar a existência de um sistema ilegal de arrecadação de órgãos.  
       Logo, é inquestionável que se atinja o equilíbrio entre doadores e receptores de órgãos. Para isso, é fundamental que o Poder Executivo, em parceria à mídia, invista em campanhas publicitárias, em escala nacional, informando e estimulando a doação de órgãos, haja vista a necessidade de autorização do familiar para a doação. Além disso, é preciso que a polícia nacional, com auxílio dos municípios, aumente a fiscalização de comércio ilegal de órgãos, por meio investigações na internet e entre a população. Ainda, cabe às escolas utilizar de seu papel de formadora de opinião para ensinar valores éticos e morais, impedindo que esses estudantes sejam compradores de qualquer meio ilegal.