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    Doa-se a quem adoecer
           O primeiro transplante de órgão feito no Brasil foi o de córneas em 1954. De lá pra cá o avanço nas técnicas de captação, remoção e transplante foram perceptíveis. Assim como os aparelhos cirúrgicos e as medicações para evitarem a rejeição. Apesar disso, mais de  2,3 mil pessoas morreram à espera de um doador de órgão no Brasil em 2015. Entretanto, ao fazer uma análise mais consistente, percebe-se que fatores comportamentais e estruturais convergem para essa problemática no país.
          Em primeiro lugar, verifica-se que a recusa familiar é a principal causa para que um órgão não seja doado. Isso pelo motivo das famílias nunca terem conversado sobre a vontade de doar, já que a maioria não tem conhecimento de que a morte cerebral é irreversível e significa o óbito do indivíduo. Prova disso são os dados de 2013 da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos afirmarem que cerca de 47% das famílias se recusam a doar órgão de parente com morte cerebral. Em virtude disso, o aumento de crenças fantasiosas, coligados à diminuição das campanhas na mídia colabora para que a população mais humilde se neguem a permitir a doação. Dessa forma, deixam de mudar uma situação de dor em esperança de vida para muitos cidadãos.
         Em uma segunda abordagem, observa-se mais um motivo para a não doação de órgãos: a falta de estrutura na área da saúde. Isso porque os trâmites administrativos demorados e a logística ineficiente ameaçam a utilização de órgãos que poderiam salvar vidas. Além disso, a ausência de uma infraestrutura hospitalar adequada atrasa o fechamento do protocolo para a captação de órgãos. Por conseguinte, quando mais rápido o laudo é concluído, maiores são as chances do transplante ser bem sucedido, pois a interrupção dos batimentos cardíacos, por exemplo, de fato impede o aproveitamento das partes. Por esse ângulo, o país não está preparado, hoje em dia, para proporcionar um sistema de transplante maior do que o atual.
         Fica claro, portanto, que a diminuição da doação de órgãos no Brasil é fruto da negação da família do potencial doador e das más condições estruturais. Logo, é necessário que o Governo Federal crie campanhas veiculadas através das redes sociais que esclareçam as famílias sobre o assunto, a fim de mostrar a segurança que o processo de transplante envolve com a finalidade de aumentar o número de doadores. Ademais, o Ministério da Saúde deve garantir investimentos e recursos para a adequação da estrutura dos hospitais, por meio da ampliação e da contratação de profissionais de UTIs capazes de acompanhar a oferta de órgãos para manter um sistema estável de captação e transplantes. Só assim não teremos mais pessoas morrendo na fila à espera de um transplante de órgão.