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    De acordo com a Agência Brasil, nos últimos 10 anos, o número de transplantes passou de um pouco mais de 14 mil para a casa dos 23 mil, isto é, um aumento que superou os 60%. Entretanto, ao levar em consideração o contingente de indivíduos que aguardam por tais procedimentos, nota-se que a quantidade de transplantes efetuados é limitada não só pela resistência de uma parcela significativa da população em admitir a condição de doador, mas também pelo restrito número de hospitais capazes de realizar essas cirurgias. Diante disso, é imperativo que o Poder Público coatue com a coletividade no sentido de eliminar esses dilemas e, assim, salvar vidas por meio da doação de órgãos.
         Optar pela doação de órgãos ainda é uma postura, inegavelmente, pouco compartilhada pela população brasileira. Isso faz com o número de órgãos disponíveis para a realização  de transplantes seja pequeno e, por conseguinte, origine as angustiosas "filas de espera", as quais acarretam inúmeros óbitos, sobretudo, de pacientes que estão com órgãos vitais falidos e, por isso, necessitam de urgência. Dessa maneira, vidas humanas, que podem ser salvas, acabam comprometidas frente a baixa incidência de doações e, por conseguinte, de transplantes de órgãos.
            Outro dilema que permeia a doação de órgãos no Brasil é a concentração da ínfima quantidade de hospitais- com infraestrutura e profissionais capacitados- que realizam os transplantes cirúrgicos. Prova disso são as poucas unidades de saúde nos grandes centros urbanos, a exemplo do Hospital Sírio Libanês em São Paulo e o Hospital Geral do estado. Isso ocorre porque a construção e a manutenção dessas instituições requer investimentos financeiros que extrapolam as receitas de municípios menores. Desse modo, o número de transplantes de órgãos realizados acaba sendo insuficiente diante da expressiva demanda de pacientes na espera e, novamente, a integridade da vida humana é ameaçada.
           É seguro afirmar, pois, que os dilemas que permeiam a doação de órgãos no Brasil acarretam prejuízos à vida humana e são basicamente dois: o número insuficiente de doadores e a concentração dos escassos hospitais onde acontecem os procedimentos cirúrgicos nas grandes cidades. A fim de resolvê-los, faz-se necessário que a sociedade civil, utilizando a mídia eletrônica, maximize o desenvolvimento de campanhas que incentivem a doação de órgãos com o intuito de convencer indivíduos a adotar tal prática. Ademais, o Ministério da Saúde, com aporte financeiro da União, deve construir novos hospitais capazes de sediar os transplantes, descentralizando-os para as cidades de médio porte, a fim de agilizar os procedimentos e extinguir as filas de espera e suas potenciais consequências negativas. Somente assim seria possível lutar pela manutenção da vida, mesmo quando a saúde está debilitada.