Dilemas da doação de órgãos

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    A involução da humanidade      
      A evolução da ciência ao longo do tempo permitiu feitos inimagináveis. A revolução médico-sanitária extinguiu doenças, como a peste negra, que historicamente dizimaram populações. Entretanto, o enorme potencial da ciência parece ainda negligenciado por contextos como os dilemas acerca da doação de órgãos. Nesse sentido, o descaso governamental, junto a falta de consciência da sociedade dificultam a doação de órgãos e, portanto, desvalorizam a vida. 
       Inicialmente, a negligência do Poder Público quanto ao combate efetivo da ilegalidade nas "doações" promove a comercialização da vida. Isso ocorre pois desde o fortalecimento do capitalismo -após as Revoluções Industriais- a desigualdade também foi, e continua sendo, agravada e, dessa maneira, populações mais pobres comercializam órgãos, se aproveitando da letargia dos governos e assim, fortificam a ilegalidade e cirurgias arriscadas que podem custar vidas ao invés de salvá-las. 
     Por outro lado, a falta de conscientização da sociedade perpetua estigmas e tabus que dificultam as doações. Parafraseando o sociólogo Émile Durkheim, a população é como um corpo biológico e portanto, a coesão entre as partes é necessária para um funcionamento adequado. Contudo, o atual cenário brasileiro expõem uma outra realidade, em que o potencial das doações de órgãos não é inteiramente aproveitado pela manutenção de estigmas arcaicos e do individualismo. Logo, dilemas acerca das doações são perpetuados por uma mentalidade social indiferente aos que necessitam de tal exercício de alteridade e compaixão.
     É evidente, portanto, a necessidade de medidas para combater esse contexto de regresso da humanidade. Cabe ao governo instituir, em parceria com instituições internacionais como a ONU, maior fiscalização e controle de quadrilhas especializadas em comercializar órgãos, aumentando a vigilância em fronteiras e agravando as punições para que se possa, então, coibir tal crime. Além disso, o Poder Público, junto à mídia, pode promover campanhas de conscientização com palestras e debates com médicos, psicólogos e especialistas para estimularem a humanidade a evoluir de forma coesa.