Dilemas da doação de órgãos

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    O Brasil é referência mundial a respeito do transplante de órgãos, já que o Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior sistema público de transplante do mundo, sendo responsável por 93% dos transplantes realizados no país. No entanto, a recusa de doação ainda é grande. Mais da metade dos familiares dizem "não" à doação. A Universidade Federal de São Paulo, identificou os principais motivos para essa alta taxa de recusa e são eles: a incompreensão sobre irreversibilidade da morte encefálica e a falta de preparo dos profissionais da saúde sobre a comunicação da morte.
      A atividade do encéfalo, é o que caracteriza se um indivíduo está vivo ou morto. A morte encefálica, é a ausência da atividade neurológica, com total irreversibilidade das funções do cérebro, ou seja, o indivíduo morreu em definitivo. No entanto, mesmo que a atividade cerebral tenha parado, outros órgãos continuam ativos por algumas horas. Entretanto, a maioria da população desconhece o assunto, e num instante de fragilidade, por causa da perca do ente querido, juntamente com a abordagem incorreta, acreditam que o seu ente ainda tem chances de sobreviver e acabam recusando a doação.
       Em um momento delicado, é necessário uma equipe de saúde bem preparada para abordar a família sobre a doação. Por lei, a retirada de órgãos e tecidos de pessoa falecida depende de autorização de cônjuge ou parente de até segundo grau, ou seja, pai, mãe, filhos, irmãos, avós e netos. A abordagem sobre as más notícias é tão importante, que algumas faculdades oferecem cursos nesse aspecto para os profissionais da saúde. Segundo Janine Schirner, professora da Unifesp, se a família não for bem acolhida na sua perda, o pedido da doação de órgãos não será atendido.
     Muitas pessoas estão morrendo na fila espera de transplante, aproximadamente, 2400, enquanto outras estão sendo enterradas com órgãos saudáveis que poderiam salvar milhares de vidas. Diante do exposto, cumpre assinalar que deve haver uma parceria entre a Mídia e as ONG's, na divulgação da doação de órgãos, explicando o que é a morte encefálica e quais órgãos podem ser doados, que vão desde a  córnea até o tecido epitelial, no caso, para pessoas vítimas de queimaduras. Ao Governo, por meio do Legislativo, uma adaptação da lei de doação de órgãos em caso de morte encefálica, admitindo que testamentos em escrito do falecido, autorizando a doação, possam valer na decisão.