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    No Brasil, mais de 40.000 pessoas aguardam por um transplante de orgãos. Apesar da grande demanda, a oferta cresce a taxas insuficientes. Entretanto, vários fatores colaboram com essa realidade, dentre eles a legislação vigente, que transfere à família o poder de autorizar ou não a doação, e os preconceitos e medos decorrentes da desinformação sobre o assunto.
          Até 2001, vigorava no país a lei da doação presumida, pela qual todo brasileiro era doador, a menos que manifestasse vontade contrária. Atualmente, esse poder de escolha está nas mãos da família. Todavia, é evidente que o momento da perda de um ente querido afeta o poder de decisão lógica, visto que o indivíduo está sob extrema emoção. Além do mais, a falta de sensibilidade e o despreparo de muitos profissionais, interferem negativamente na decisão dos familiares. Aliado a isso, um contexto de dogmas religiosos, preconceitos e desinformação, cooperam para a perda de mais de 40% dos potenciais doadores.
          Pesquisas recentes apontam que existe uma relação favorável de crescimento, da taxa de doação de orgãos, em países cuja doação é presumida. Isso leva a entender que manter o modelo de decisão familiar prejudica e reduz a vida de milhares de pessoas. Mesmo assim, há quem defenda esse modelo, alegando que em comparação a períodos anteriores a 2001, houve um crescimento no número de doadores. No entanto, essa visão é extremamente anacrônica. O crescimento foi insuficiente e continuará sendo, se nada for feito, pois, com o crescimento da expectativa de vida da população, a tendência é que mais pessoas precisem de transplantes.
          Sendo assim, cabe ao poder legislativo rever a lei que regula a doação de orgãos e reimplementar a doação presumida, tendo em vista sua comprovada eficiência em outros países. Aliado a isso, uma maior militância do Ministério da Saúde nas mídias e nas escolas, promovendo campanhas e palestras, a fim de esclarecer a importância e a necessidade da doação para o bem social, assim como, treinamentos que visem capacitar os profissionais da saúde a lidarem com a familias. Dessa forma, mais vidas serão prolongadas e a gigantesca lista de espera por doadores será reduzida.