Dilemas da doação de órgãos

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    Apesar do crescimento de quase 64% nos últimos dez anos, a doação de órgãos ainda é um grande desafio a ser enfrentado pelo Brasil. Nesse contexto, deve-se analisar como a recusa da família,e  a falta de informação influenciam na problemática em questão, para que então seus efeitos sejam atenuados.
      47% das famílias se recusam a doar os órgão de familiares com morte encefálica, e isso acontece devido a falta de diálogo entre os familiares resultando na recusa da família. Esse fato pode ser explicado com a teoria da modernidade líquida do sociólogo Zygmunt Bauman, que diz que na sociedade contemporânea, emergem o individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações. Outrossim, há ainda a esperança de que aconteça algum milagre, e a descrença que o familiar está de fato morto. Em decorrência da fragilidade do momento de lidar com a morte, a falta de empatia é potencializada e a maioria se recusa a realizar um simples, porém grande, gesto de compaixão.
      Além disso, nota-se que a falta de informação sobre o processo de doação de órgão também é responsável pelas longas filas de espera por um transplante. Isso acontece porque a questão da doação ainda é cercada de mitos. Muitas pessoas acreditam -erroneamente- que o paciente diagnosticado com morte encefálica na verdade não está morto. Acreditam também que o médico responsável deixa de fornecer o tratamento adequado só para conseguir mais órgãos para transplante.
      Torna-se evidente, portanto, que a questão da doação de órgãos no Brasil precisa ser revisada. Em razão disso, os médicos devem explicar detalhadamente a condição do paciente com morte encefálica, de forma que não exista espaço para dúvidas. Ademais, o Ministério da Saúde deve disseminar nos meios de comunicação, propagandas e campanhas esclarecedoras, que além de incentivar a doação de órgãos, informem à população como de fato é dado o diagnóstico de morte encefálica, e como acontece o processo de transplante. Dessa forma, o Brasil poderá diminuir o número de aproximadamente 41 000 pessoas na lista de espera por órgãos.