Dilemas da doação de órgãos

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    A doação de órgãos no Brasil é considerada uma das mais eficientes do mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), cerca de 95% dos procedimentos são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desse modo, os pacientes recebem assistência integral e gratuita durante todo o processo de doação. Porém, mesmo diante deste cenário positivo, a lista de espera por um transplante chega a quase 42 mil pessoas, e, assim, levanta duas questões importantes frente ao tema em questão: a falta de informação sobre morte encefálica e ineficiência das equipes médicas que trabalham com potenciais doadores.
          Em uma primeira análise, o país registrou o maior número de doadores de órgãos da sua história em 2017. Até setembro deste ano, o MS registrou um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, muitas famílias ainda negam a doação, não só pela  falta de entendimento sobre morte cerebral, mas também por não dispor de conhecimento suficiente sobre como é feito o diagnóstico e, consequentemente, medo de possíveis erros médicos.Sabe- se que, a Lei 9434/97 regulamenta o transplante de órgãos no país determinando, assim, procedimentos obrigatórios para confirmação da diagnose, dentre eles estão: avaliação de dois médicos em intervalos de tempo diferentes, e exames confirmatórios da inatividade cerebral. Sendo assim, tais medidas propõem aumentar a confiança da família diante da decisão.
          Outro aspecto a ser abordado é a falta de preparo das equipes de saúde que trabalham diretamente com doentes graves, pois são estes os potenciais doadores. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Dr. Roberto Manfra, os profissionais que trabalham com estes pacientes não fazem a comunicação necessária para posterior captação, muitas famílias gostariam de ter optado pela doação, mas não chegaram a ter consciência que poderiam assim fazer. Urge, portanto, a necessidade de programas de treinamento desses profissionais.
          Infere-se, enfim, que a insegurança das famílias e a falta de preparo de alguns profissionais são os principais responsáveis pelo baixo número de doadores efetivos no pais, dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde lançar cartilhas de informação sobre morte encefálica, explicitando quais são as diretrizes necessárias para um diagnostico preciso, afim de eliminar qualquer inação diante da decisão. Além disso, o MS também deve firmar parcerias com os hospitais, oferecendo cursos de pós graduação em captação de órgãos, afim de qualificar o serviço. Desse modo a sociedade poderá se orgulhar de um Brasil mais empático e humano.