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    Segundo a Organização Brasileira de Transplante de Órgãos (OBTO), 2.333 pessoas morreram no Brasil em 2015 à espera de um transplante. Tais dados mostram o quão urgente é a resolução do dilema da doação de órgãos no país, haja vista que o baixo número de doadores tem levado à morte de muitas pessoas. Dentre as principais causas desse quadro, destacam-se a rejeição das famílias e a falta de infraestrutura dos hospitais públicos no interior do país.
          As famílias dos possíveis doadores são o principal empecilho à frente desse problema. Conforme o Ministério da Saúde (MS), mais de 40% delas se recusam a autorizar a retirada dos órgãos de seus membros. Isso ocorre pela falta de confiança no laudo médico a respeito da morte do paciente, levando a esperarem mais do que o tempo válido para o transplante, e por fatores religiosos, já que muitas religiões veem o corpo como sagrado e inviolável. Além disso, esse contexto é agravado pela falta de qualificação dos profissionais na abordagem dos familiares, pois a ignorância sobre como se dará o procedimento dificulta seu consentimento. 
          Outro fator que corrobora para esse quadro é a falta de infraestrutura e equipes especializadas para transplantes de órgãos. Após a retirada, o tempo que o órgão tem para ser transplantado é muito curto: o coração, por exemplo, tem um prazo de 4 horas para ser passado do doador para o receptor. Como a maior parte das Centrais de Transplantes estão nas grandes cidades – principalmente nas capitais do Sudeste do país –, aqueles que necessitam de um transplante podem perder uma oportunidade por conta da falta de unidades próximas que viabilizem o procedimento, já que em muitos casos o tempo é excedido e o órgão se deteriora. 
          A fim de reverter esse quadro, portanto, é necessário que o MS institua campanhas de incentivo à doação de órgãos nos meios midiáticos (como televisão, internet e rádio) e através de cartazes em locais públicos (como praças e hospitais), informando a necessidade que se tem da colaboração conjunta da população e a forma como é realizado esse processo. Buscando suporte alternativo à atuação estatal, as instituições religiosas podem reavaliar essa problemática e utilizar de sua influência para promover a solidariedade entre os fiéis, instigando a doação. Por fim, cabe, também, ao MS direcionar recursos para a construção de novas Centrais de Transplante pelo país, a fim de inibir a perda de potenciais doadores, e promover uma melhor qualificação das equipes especializadas, para que saibam abordar corretamente os familiares, garantindo-lhes da seguridade do diagnóstico de morte da maneira como é feito no Brasil, e realizar o transplante sem causar danos ao órgão ou ao paciente.