Dilemas da doação de órgãos

Envie sua redação para correção
    Um sim que salva vidas
       Jean Jacques Rousseau, autor contratualista, criara, à luz do iluminismo, sua tese acerca das medidas paliativas de bem-estar social a serem aplicadas pelo governo coetâneo, de forma irrevogável. À vista disso, o Brasil, à frente de provectas leis pilares em sua Constituição, passa a garantir a toda sua população, sem excludentes e por intermédio do SUS, Sistema Único de Saúde, intervenções como cirurgias ou tratamentos, gratuitamente. Entretanto, mediante o supradito, faz-se imperioso refletir sobre a alarmante conjuntura brasileira de carência por órgãos doados diante da fração em demanda no país. 
       Posto que o contingente demográfico no Brasil ultrapasse, atualmente, 200 milhões de pessoas, segundo o IBGE, é fácil depreender-se que, quer seja por doenças, quer por acidentes, a procura por doadores de órgãos e tecidos seria alta. Todavia, em um país multicultural – de opiniões e hábitos diferentes - e, até mesmo, onde a informação acerca do assunto faz-se, muitas vezes, escassa, é, deveras, preocupante a fila atroz de espera por tais. No entanto, diante do senso fraterno agudo brasileiro, o índice de doadores tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, por meios de campanhas governamentais. 
       Em contrapartida, diante da grande dor de perder um ente querido e conquanto ainda ansiassem por milagres, famílias por todo o território nacional negam a doação caridosa e, por conseguinte, permitem, inconscientemente, a morte de outrem. Ademais, a falta de conhecimento dos responsáveis pela retirada das vísceras, quanto ao desejo individual da pessoa enquanto viva, gera um obstáculo a mais para aqueles em risco de morte. No entanto, tal realidade não pode ser taxada como egoísta e de má índole, uma vez que seja impossível quantificar tanto sofrimento quanto esperança. 
       Portanto, a fim de atenuar esse quadro caótico, parafraseando Rousseau de que a dor corrompe o homem e o torna a sociedade miserável, é impreterível que o Governo Federal atue de maneira mais ativa no combate a filas de espera. Por meio do Ministério da Saúde, deve-se criar um cadastro nacional de doadores de órgãos, atualizado periodicamente e assinado tanto pelo doador quanto por alguns responsáveis, como amigos e parentes. Assim, em caso de morte, órgãos poderiam ser doados sem que pessoas tivessem que deixar de lado o luto e a dor para lidar com toda a burocracia, salvando vidas e diminuindo filas.