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    A ausência de debates e informações acerca da saúde pública, apresenta-se como um problema recorrente na história do Brasil. O exemplo mais marcante foi quando, em 1904, no Rio de Janeiro, a falta de esclarecimento sobre a campanha de vacinação, contra a varíola, culminou na Revolta da Vacina. Com efeito, a mesma problemática se estende para a doação de órgãos, uma necessidade crescente que encontra impasse nos tabus sociais e na carência de diálogos. Contudo, o tema em questão deveria ser motivado em prol da solidariedade, ciência e humanidade.
          Em primeira análise, é imprescindível frisar que a morte é tratada como um tabu, uma vez que ao introduzi-la, a noção de sua antecipação é levantada. Logo, observa-se que o receio persistente de se abordar sobre o assunto compromete a doação de órgãos, tendo em vista que, no Brasil, tal prática de empatia só pode ocorrer caso haja o consentimento da família, evidenciando a importância do diálogo acerca dessa temática. Ademais, existem dificuldade em lidar com crenças pessoais que, somadas com algumas religiões, não compactuam com essa ação, apresentando uma rejeição fomentada por raízes mais profundas.
          Nesse contexto, apesar de em 2016 ter ocorrido um aumento superior a 5% nas doações de órgãos, o número ainda está muito abaixo do que é necessário. Por isso, deve-se ressaltar que a doação de órgãos é o legado mais solidário que pode-se deixar daquilo que se é inevitável, seja para salvar a vida de uma das mais de 40 mil pessoas que aguardam na fila de espera por um transplante no país ou seja, também, para contribuir com estudos na medicina. Em suma, fica claro que medidas para incentivar e esclarecer esse processo, desmistificando as possíveis dúvidas da população, fazem-se urgentes. 
          Visando reverter essa situação, o Governo Federal, alicerçado com o Poder Legislativo, deveria sugerir um formulário em um dos documentos oficiais do cidadão, como já acontece nos Estados Unidos, no qual fique claro se o mesmo é ou não um doador. Outrossim, a mídia, em parceria com ONGs, poderia incentivar a população com campanhas e propagandas, abordando sobre o assunto nas telenovelas e em locais públicos de grande acesso. Além disso, o Ministério da Saúde, junto ao Ministério da Educação, seria capaz de construir e aplicar projetos de conscientização nas escolas com maior interação e alcance popular. Assim, espera-se que o brasileiro doe, além de órgãos, amor e humanidade.