Dilemas da doação de órgãos

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    Em 1964, o Brasil realizou o primeiro transplante de órgão no Rio de Janeiro. É indubitável que essa conquista foi de imensurável importância .No entanto, a sociedade hodierna enfrenta empecilhos no que tange o processo de doação de órgãos, seja pela escassez de informação sobre o assunto, seja pela insuficiência de preparo à profissionais da área de saúde.
         A princípio, é imprescindível compreender como a ausência de diálogo entre os familiares atrelada à ausência de conhecimento fomenta esse panorama. Segundo uma pesquisa, realizada pela ABTO ( Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), apenas 47% das famílias autorizam a captação de órgãos de um ente querido. Isso se deve ao fato de muitas vezes essa temática só ser abordada em circunstâncias emergenciais, não permitindo assim que o conhecimento sobre a vontade da pessoa seja obtido e consolidado. Ademais, é evidente que a carência de esclarecimento sobre a política e a ética desse processo potencializa que as famílias optem pela não doação. 
          Paralelamente a isso, convém salientar a falta de capacitação oferecida aos especialistas no âmbito da saúde para lidar com essa questão. As universidades, majoritariamente, não possuem uma matéria específica que ofereça um preparo sólido para que esse grupo saiba agir e explicar de maneira correta o método de transplantação. Destarte, a não humanização ao deparar-se com um indivíduo abalado psicologicamente impede que os parentes adquiram conhecimento suficiente sobre a não violação do corpo de seu próximo e também sobre as situações em que o paciente,que teve morte encefálica,por exemplo, apresenta um quadro irreversível, mas que apesar disso está apto para ser um doador. 
         Infere-se,portanto, a necessidade de vencer esses obstáculos que impedem a efetivação desse processo. Primordialmente,é necessário que o Ministério da Saúde em conjunto com a mídia explique como é fundamental a conversa entre familiares sobre o assunto e a importância de deixar constado em documentos o desejo de ser um doador  visando facilitar o andamento; dessa forma, as pessoas se tornarão mais cientes sobre o desejo de seu próximo e mudarão a vida de outras. Além disso, o Governo em parceria com Instituições públicas e privadas educativas deve estabelecer a obrigatoriedade de disciplinas que garantem a qualificação dos profissionais para orientar os familiares e transformar um momento de dor em alegria.Sendo assim,êxitos tal como o de 64 serão atingidos em grande proporção, configurando uma sociedade mais solidária.