Dilemas da doação de órgãos

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    Goethe, escritor alemão, disse que só é feliz aquele que doa. No entanto, o Brasil, considerado pela ONU o 22° país mais feliz do mundo, ainda deixa a desejar no quesito doação de orgãos: apesar do crescimento no número de transplantes, de acordo com o Ministério da Saúde, quase metade das famílias recusam autorizar o procedimento. Diante desse cenário, faz-se necessário o debate dos dliemas da doação de orgãos no país para a construção de uma sociedade mais humana e solidária.
          No início do século XX, pela falta de instrução da sociedade, ocorreu no Rio de Janeiro a chamada Revolta da Vacina, uma rebelião popular causada por campanhas de vacinação obrigatórias. Contudo, mais de um século depois, a falta de informação ainda surge como um empecílho para um melhor aproveitamento dos orgãos no Brasil: segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, em caso de morte encefálica, a falta de conhecimento sobre irreversibilidade da morte encefálica é a principal causa de recusa de doação de órgãos.
          Segundo o físico Albert Einstein, a ciência sem a religião é manca e a religião sem a ciência é cega. Nesse contexto, é importante que ambas caminhem juntas e vale ressaltar que, hoje, todas as religiões apoiam o transplante de orgãos. No entanto, essa informação ainda não é de conhecimento geral – o que leva muitas pessoas ase apoiarem na idéia da inviolabilidade do corpo para não fazer a doação.
         Portanto, fica claro que deve-se incentivar e esclarecer o processo de doação de órgãos no Brasil. Para tal, o Ministério da Saúde dever realizar, em igrejas, escolas e universidades, seminários e debates interativos, ministrados por profissionais da saúde, apresentando casos reais de pessoas que aguardam por transplantes. Além disso, deve-se criar campanhas publicitárias, que podem ser difundidas através das mídias sociais, com o objetivo de conscientizar a população a respeito da importância dos transplantes. Por fim, mais formulários de adesão a doação de orgãos devem ser disponibilizados as pessoas, em consultas de rotina ou na assinatura de um plano de saúde, por exemplo. Assim, espera-se que o brasileiro doe, além de órgãos, amor e humanidade.