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    O filme Sete Vidas, retrata a solidariedade e a compaixão humana, em que o outro se sobrepõe ao “eu”. Promove, a reflexão de como a vida é frágil e dolorosa,sendo isso notado quando se está em um estado grave e dependente de uma ação alheia. A ideia de salvar vidas ou de proporcionar uma melhor qualidade àqueles que dependem de um órgão novo, ao mesmo tempo que é louvável, causa angústia. Assim, cabe explorar os entraves físicos e psicológicos que dificultam tal ação. 
    Quando Stuart Mill diz que sobre seu próprio corpo e mente o indivíduo é soberano, corrobora para a ideia de que a escolha de ser doador é pessoal e intransferível. Logo, o desejo de ser um doador precisa ser compartilhado entre os membros de uma família a fim de evitar dúvida sobre essa escolha. Porém, mesmo havendo doadores potenciais ou mesmo declarados, ainda há hospitais que não apresentam estrutura física capaz de armazenar ou mesmo de transferir este material para outras localidades o que coloca em xeque a credibilidade da instituição dificultando a adesão dessa prática. Dessa forma, assim como a Revolta da Vacina causou estranheza ao povo devido à falta de informação sobre o procedimento, doar órgãos ainda é uma conduta obscura e repleta de tabus.
    Nesse contexto, a questão psicológica é facilmente desestabilizada. Isso acontece porque para que uma pessoa recomece sua vida, muitas vezes, o outro precisa morrer. Lidar com tantos sentimentos controversos no momento da perda de um ente querido é extremamente doloroso. Aliado a isso, muitos profissionais não sabem abordar de forma correta os familiares deixando-os assustados e inseguros, e por não haver um entendimento sobre a morte encefálica, o indivíduo, motivado pela fé e pela esperança, decide adiar essa decisão. Assim, a falta de informação sobre a definição de morte encefálica e o coma adicionado a questão de crenças religiosas, trona-se um fator bastante prejudicial par a efetivação da doação.
    Portanto, é fundamental que haja discussões a respeito da doação de órgaos, pois somente por meio da informação a sociedade sentirá segurança em declarar-se doador. Para isso, o Ministério da saúde deve promover palestras em hospitais, UBSs e em parques públicos alertando a população sobre a importância da doação de órgãos, promovendo o esclarecimento sobre quando se pode doar, como acontece o armazenamento desse órgão e como ele chegará ao paciente receptor. Isso pode ser feito com recursos visuais e com depoimentos de pessoas transplantadas. A mídia, deve utilizar programas de televisão e de rádio, informando à população sobre os tipos de doação e a que instituição recorre caso se declare doador. As famílias devem discutir sobre este tema, e declarar seu interesse aos demais. Só por meio da educação será possível romper a barreira do preconceito.