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    No dia 13 de dezembro de 1954, na cidade de Boston, o médico Joseph Murray realizou o primeiro transplante vital e deu início aos atuais processos de doação de órgãos, capazes de salvar diversas vidas. Entretanto, o baixo incentivo à cultura de transplantes no Brasil impossibilita os brasileiros de usufruírem a conquista de Murray na prática. É paradoxal, que, mesmo diante da ampla necessidade de transplantes viscerais, Estado e sociedade civil não se mobilizem para dar eficácia ao êxito. 
     Sob essa conjectura, a prosperidade da doação de órgãos encontra desafio em uma sociedade individualista. A esse respeito, o filósofo Adam Smith afirmava, em linhas gerais, que as ambições individuais levam a sociedade ao progresso e orientava que o indivíduo abrisse mão da benevolência a fim de que se conquistasse a evolução nacional. No entanto, a ideologia liberalista de Adam Smith não deve ser aplicada à doação de órgãos, sob pena de prejuízos a toda população. 
      De outra parte, é necessário que o poder público modifique sua estratégia na orientação da população a respeito dos alotransplantes, aqueles realizados entre indivíduos da mesma espécie, porém geneticamente diferentes. Nesse contexto, no ano de 1991, foi promulgada uma lei que obrigava a doação de órgãos de todos os brasileiros em caso de morte encefálica. Porém, tal medida não gerou os efeitos esperados e resultou em revolta sócia, de modo que, enquanto a ineficácia do Estado ainda persistir, o Brasil será obrigado a conviver diariamente com um dos mais graves problemas para o SUS: a fila de espera. 
     Infere-se, portanto, que as vitórias de Joseph Murray sejam, de fato, aplicadas no Brasil. Sendo assim, o Ministério da Saúde, por meio de ficções engajadas na mídia televisiva, sobretudo nos intervalos comerciais em horário nobre, deve incentivar as famílias a aceitarem a doação de órgãos daqueles que têm a morte encefálica declarada, a fim de atingir um maior nível de conhecimento e interesse da sociedade.