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    A relação da sociedade com o corpo humano sempre foi marcada pela religiosidade e fé. Na idade média, por exemplo, quaisquer indivíduo fosse visto violando um cadáver para estudar a anatomia humana era condenado a morte. Nesse contexto, deve-se analisar os  fatores sociais que dificultam a doação de órgãos na atualidade. 
          Em primeira análise cabe destacar que a falta de informação sobre o processo da doação é responsável pelos baixos índices de doadores. Frequentemente são veiculadas pelos meios de comunicação campanhas sobre os perigos de dirigir embriagado ou ter relações sexuais sem preservativo, mas pouco se informa sobre a doação de órgãos. Sendo assim, quando um paciente tem morte encefálica e está apto para tal procedimento a família, tendo que dar a resposta quase de imediato, fica presa a estigmas sociais que vinculam a imagem do doador à um corpo totalmente desfigurado ou desconhecem a vontade do falecido. 
          Ademais, o individualismo corrobora para o escasso número de doações no país. Isso acontece porque na contemporaneidade, conforme defendido pelo sociólogo Bauman na obra "Amor líquido", as pessoas estão tão envolvidas na busca pelo sucesso monetário que deixam as relações interpessoais em segundo plano. Essa fragilidade dos laços afetivos faz com que, no momento da decisão sobre a doação, a família concentre-se suas atenções no seu sofrimento, não pensando nos benefícios da ação para os receptores. 
          Torna-se evidente, portanto, que ações precisam ser realizadas para a  quebra tabus e aumento dos transplantes. O Ministério da Saúde deve instruir os profissionais da área para que estes possam, através de inserção do assunto em consultas de rotina, dialogar com a população sobre o ato, formando cidadãos conscientes que não basearão suas decisões em pré-conceitos já estabelecidos. Além disso, os meios de comunicação devem debater o assunto em programas de audiência ou  novelas, visando estimular o posicionamento empático da população.