Dilemas da doação de órgãos

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    Doação de órgãos: informação gera confiança.
       A doação de órgãos envolve uma matemática altamente relevante: um único doador pode melhorar significativamente a qualidade de vida de até dez pessoas. O que se constata, no entanto, é que, embora tenha crescido, nos últimos dez anos, a média de transplantes no país ainda está muito aquém do necessário. Nesse sentido, é fundamental que se discutam caminhos para melhorar esse cenário. 
       Primeiramente, é importante considerar que o receio e a desconfiança são motivos entre os que mais afastam os familiares do potencial doador da decisão pela doação. Muitas vezes, a fragilidade da confiança na licitude, tanto do diagnóstico médico quanto no destino dos órgãos, pode se apresentar como grande entrave para o processo. Essa insegurança é um ponto de desmotivação que deve ser mitigado.
       Outro fator crítico para o incentivo à doação de órgãos é a falta de informação a respeito do procedimento: a família, geralmente, chega a esse momento tão difícil (que é a iminência da perda de um ente) sem  as devidas elucidações sobre como proceder a partir da decisão. Isso pode fazer com que esses responsáveis, já sensibilizados, optem por se eximir de qualquer ação nesse sentido. 
       Dessa forma, é interessante que o Ministério da Saúde estabeleça, em parceria com as mídias, uma maior conexão entre pacientes transplantados e famílias de seu doador, de modo que a publicidade dada a este contato-  e seus desdobramentos positivos-  sirva de incentivo às famílias de potenciais doadores. A promoção desses encontros pode ser veiculada por meio de documentários e matérias jornalísticas, por exemplo. Além disso, é imprescindível o aprimoramento da informatização da cadeia de custódia dos órgãos doados, garantindo a credibilidade do processo. Consequentemente, essas famílias podem encontrar, na doação de órgãos, uma forma ímpar de transformar a memória de seu ente querido em um valioso legado.