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    Segundo o escritor alemão Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesse sentido, no que tange à doação de órgãos no Brasil, percebe-se uma falta de cultivo sobre a prática, a qual não só questiona a presença de tal sentimento na população do país, como também arrebata chances de salvar vidas. Consonância da falta de informações transmitidas e um sistema de saúde desfavorecido, esse cenário exige medidas urgentes.
      A princípio, é fundamental pontuar que, embora o número de transplantes de órgãos tenha aumentado em 16% no primeiro semestre de 2017, segundo dados do Ministério da Saúde, a falta de esclarecimento em relação às doações ainda consiste em um obstáculo significativo. Nessa lógica, torna-se relevante destacar a dificuldade de obtenção da autorização familiar, haja vista o precário incentivo de campanhas comunitárias e da mídia. Vale ressaltar que o diagnóstico de morte encefálica no Brasil é um dos mais seguros do mundo, e são nesses casos que surgem as melhores chances de doação. Desse modo, fatos não divulgados devidamente podem remeter à massificação de uma visão pejorativa sobre o assunto.
      Sob essa conjectura, a tese marxista disserta acerca da inescrupulosa ação do Estado, o qual assiste apenas a classe dominante. Nessa lógica, ao analisar a situação de hospitais cuja eficiência em doação e transplantes de órgãos é alta, percebe-se que esses se concentram nas regiões Sul e Sudeste do país, regiões nas quais ocorreu maior desenvolvimento técnico-científico ao longo da história, enquanto Nordeste e Norte, por exemplo, possuem saúde pública defasada e, muitas vezes, não detêm dos aparatos necessários para desenvolver a prática. Diante disso, torna-se pontual reverter impecílios que afastam essas regiões do caminho para o desenvolvimento da doação de órgãos, haja vista a alienação de governantes pelo capitalismo e pelos subvertidos valores líquidos da modernidade, discutidos por Zygmunt Bauman.
      Urge, portanto, que ações sejam efetuadas para mitigar os dilemas da doação de órgãos. Cabe ao Ministério da Saúde a criação de campanhas que atinjam o maior número de pessoas, ou seja, feitas de maneira comunitária em postos de saúde, distribuindo panfletos e dando palestras em escolas, a fim de difundir mais profundamente a importância desse ato e criar a cultura de solidariedade e doação. Ademais, aos cidadãos compete a mobilização por meio de redes sociais para exigir do governo federal o investimento em redes hospitalares especializadas em todos os estados, além de uma melhor infraestrutura do sistema de saúde que permita a segurança na hora da doação. Assim, os dilemas serão sanados e um contexto solidário e humanitário será realidade não só no Brasil, mas no mundo.