Dilemas da doação de órgãos

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    No filme "Nunca me deixe ir", há uma escola bem peculiar, em que os alunos são criados com a finalidade de doar seus órgãos para outras pessoas, passando por um rigoroso processo de educação física e alimentar, haja vista que sua saúde deveria ser perfeita. Nesse sentido, nota-se a necessidade de se tratar de uma problemática, contudo, ela foi resolvida de uma forma extremista e desumana. Dessa forma, é válido ponderar a carência de conhecimento acerca da importância da doação, assim como as dificuldades no processo de transplante.
          Primeiramente, quando há a morte cerebral de algum paciente, é possível o transplante de órgãos, entretanto, várias família não permitem essa doação, seja pelo choque emocional, seja pela insuficiência de diálogo. Um dos conceitos do psicanalista Freud constatava: o pensamento é o princípio que influencia a ação, isto é, as ideias recebidas funcionam como base para as atitudes. Seguindo essa linda de raciocínio, depreende-se que se as famílias soubesses, antes de perder seus parentes, das vidas que podem salvar, a maximização das doações seria garantida. Desse modo, fica evidente a necessidade da educação a respeito dos transplantes.
        Outrossim, pelo baixo índice de doações, tem-se um número pequeno de profissionais especializados na área, o que corrobora no processo de polarização desses peritos nas grandes capitais. De acordo com a constituição, a saúde é direito de todos e dever do Estado. Conquanto, esse direito se torna inacessível, uma vez que, na maioria dos casos, não há a doação necessária, e quando ela ocorre, surge outras dificuldade, tais como transplante e logística. Dessa maneira, nota-se a inércia do Estado em relação à despolarização do benefício dos transplantes de órgãos. 
          Destarte, é indubitável afirmar que a questão da doação de órgãos no Brasil se configura em um grande problema para o país. Para combatê-lo, as ONG's podem levar o conhecimento às famílias de que a doação pode ser permitida quando há a morte cerebral e sobre a importância desses órgãos na vida de outra pessoa, por meio da execução de palestras e criação de centros de apoio a familiares, com o intuito de aumentar os números de doações. Por conseguinte, o Estado pode, em parceria com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, aumentar o número de profissionais na área, a partir da promoção de cursos de especialização nos municípios mais interiores de cada Estado. Unicamente assim, a realidade do filme "Nunca me deixe ir", nunca será a do Brasil.