Dilemas da doação de órgãos

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    A técnica de transplante de órgãos, surgida no século XX, significou um dos maiores avanços da medicina e possibilitou a chance de salvar a vida de pessoas acometidas por doenças crônicas. Contudo, segundo as estatísticas da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), mais de 40 mil pessoas aguardam na fila de transplantes no Brasil. Nesse contexto, é necessário analisar como a falta de informação e questões técnicas da captação corroboram para a longa espera dos pacientes.
        A falta de informação é um dos principais fatores que dificultam o procedimento no país. Segundo as leis brasileiras, a doação de órgãos de um indivíduo que faleceu deve ser autorizada pela família, mas, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 47% dos familiares recusam. Isso acontece porque muitas pessoas não sabem se o indivíduo desejava ter os seus órgãos doados, e na dúvida preferem não doar. Além disso, a questão ainda é permeada por mitos, que questionam, inclusive a ética médica. Muitas pessoas, por exemplo, acreditam que um indivíduo com morte encefálica pode voltar a vida a qualquer momento, e a doação acabaria com essa possibilidade. Por consequência desse desconhecimento, o ato de doar órgãos é dificultado. 
        Além disso, nota-se ainda, que o sistema de captação dos órgãos também influencia no número baixo de transplantes. Um dos problemas é quando ocorre uma falha na comunicação entre os profissionais de saúde e a família, assim, muitas pessoas não chegam a ser informadas que poderiam realizar a doação. Ademais, a dificuldade logística é outro fator que corrobora para o problema, visto que apenas alguns estados brasileiros possuem aeronaves dedicadas ao transporte de órgãos, enquanto os demais contam com as companhias privadas em voos comerciais, que apesar de realizarem o transporte de forma gratuita, levam mais tempo. Por conseguinte, órgãos sadios acabam sendo desperdiçados. Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas que facilitem o processo.
         Nesse contexto, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com as mídias sociais, realize propagandas que incentive o cidadão a informar aos seus familiares o seu desejo de doar órgãos. Assim, será mais fácil para as famílias tomarem a decisão no momento de luto. Cabe ainda, ao Ministério da Saúde, a realização de uma parceria com a Força Aérea Brasileira para a realização do transporte de órgãos de forma mais rápida e eficiente, com o fito de reduzir a perda de órgãos. Dessa forma, mais vidas poderão ser salvas pelo exercício da solidariedade.