Dilemas da doação de órgãos

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    É indubitável que a doação de órgãos aumentou muito no Brasil nos últimos anos. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde indicou que no ano de 2016 foi o maior registro de doações no Brasil, cresceu 5% em relação a 2015. No entanto, a quantidade de doadores não é suficiente, visto que, a fila de espera por um órgão ainda é muito grande. Nesse sentido, deve-se analisar como falta de diálogo entre os familiares e a falta de informação causam esse imbróglio e como combatê-lo.
       A falta de diálogo entre os familiares é a principal causa da não doação de órgãos. Isso porque, as famílias nunca conversaram  sobre a possibilidade de doação com doador, tornando-se um tabu  falar sobre a morte. Um exemplo da importância do dialogo, foi quando houve o caso trágico do assassinato da Eloá em Santo André (São Paulo), televisionado no país todo, o índice de doação chegou a 90%, as pessoas discutiram o tema e expuseram que eram doadoras. Em decorrência disso, vemos dados como o da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), afirmar que número a recusa dos familiares para doação cresceu, e hoje é de 47%. 
       Além disso, note-se, que a falta de informação contribui para a manutenção desse problema. Isso é um reflexo da sociedade que está cada vez mais individualista, devido a lógica hiper capitalista nessa pó-modernidade, como afirma Zygmunt Bauman em sua obra "Amor Líquido". As propagandas falando a respeito da importância da doação  não deveriam estar focada mais na comoção, mas sim na informação. Em decorrência disso vemos pessoas com o nível de desenformação absurda,desconhecendo os grandes avanços da medicina e o grande número de pessoas que um doador de morte encefálica(morte cerebral) podem salvar, que são 25 pessoas.
        Em face do exposto, fica claro que medidas precisam ser tomadas. O Ministério da Saúde deve implementar palestras e campanhas mais informativas do que emotivas, no intuito de esclarecer como funciona a doação, que ela não oferece riscos e como é detectada a morte encefálica. Similarmente a isso, estimular o dialogo familiar, a importância das pessoas em expressar antecipadamente a sua vontade de ser doador, evitando dilemas dos familiares após a sua morte. Deve-se, Investir também no acolhimento familiar do falecido, tirando todas as duvidas necessárias e apresentar um retorno da  ou das pessoas que foram salvas para aqueles interessados em saber. Só assim teremos um percentual maior de doares de órgão.