Dilemas da doação de órgãos

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    A Revolta da Vacina, no século XIX, foi um movimento populacional contra a vacinação da varíola, ligado intrinsecamente ao desconhecimento sobre seus efeitos e benefícios. De forma análoga, a ampliação da doação de órgãos enfrenta grandes problemas ligados, principalmente, a falta de informação e a aceitação familiar. Diante disso, tornam-se passivo de debate os desafios enfrentados, hoje, no que se refere à questão da doação de órgãos no Brasil.
     Em primeiro plano, a aceitação familiar contribui para as longas filas de espera de transplantes. As famílias, após a recém-perda do ente querido, passam por diversos dilemas éticos sobre o que fazer. A dificuldade em compreender o conceito da morte encefálica colabora para a negação. Esse quadro clínico irreversível, caracterizado pela a falência cerebral, apesar dos batimentos cardíacos, arraigado de crenças, alimenta a esperança que um milagre possa acontecer e seu ente possa recuperar-se. Com efeito, segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), 47% das famílias se negam a doar quando a causa da morte é falência cerebral. 
     Outrossim, a doação de órgãos no Brasil está aumentando a cada ano. Segundo o Ministério da Saúde, em 2015 o país obteve 2983 doações, um recorde na história. Entretanto, o crescente aumento não é capaz de sanar a demanda, não raro, pacientes falecem na fila de espera. Fato potencializado por mitos e ideias errôneas que cercam a operação e permeiam a sociedade brasileira. Tais como: o órgão será retirado antes que a pessoa tenha morte cerebral, a morte será acelerada para efetuar a doação, entre outros. 
     Portanto, medidas são necessárias para alterar a atual situação. A fim que esta questão seja elucidada  torna-se necessário ações do governo e da mídia. Para isso, o Ministério da Educação deve propor como matéria obrigatória na grade curricular das aulas de ciência e biologia discussões sobre os procedimentos e a importância desse ato. Além disso, a mídia juntamente com ONGs, devem promover campanhas, propagandas e debates sobre o tema, a fim de desmitificar as preocupações relacionadas à doação e possibilitar um olhar mais carinhoso e receptivo sobre a problemática em questão. Assim, a população discutirá mais claramente sobre a questão e a doação de órgãos será ampliada, salvando vidas de milhões de brasileiros que aguardam nas filas de espera.