Dilemas da doação de órgãos

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    A solidariedade que salva vidas
         Apesar de terem gerado grandes mazelas na história, as grandes guerras mundiais contribuíram para o avanço da medicina, em especial para a área cirúrgica, devido aos experimentos e procedimentos realizados com o corpo humano em tal época. Uma das esferas que se desenvolveram desde então, é a do transplante de órgãos, prática esta que foi legalizada no Brasil em 1964. Todavia, ainda hoje são enfrentados diversos obstáculos no país para conseguir um novo órgão. 
         Inicialmente, os pacientes que necessitam de uma doação, deparam-se com uma série de processos burocráticos a serem resolvidos na base da lei, estes que, na maior parte das vezes, levam muito tempo a serem elucidados, bem como a disponibilidade de órgãos para doação também é fator decisivo na espera desses processos.
         Com isso, é possível que, neste período, ocorram complicações na saúde do paciente em questão, que corre o risco de vir a óbito, a exemplo das mais de 2 mil pessoas que morreram à espera de um transplante em 2015 no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
         Devido a todo esse trâmite a ser enfrentado, surge a problemática do tráfico ilegal de órgãos no mundo, em que órgãos retirados de pessoas, contra sua vontade, são vendidos a preços altíssimos a quem necessita transplantá-los. O Brasil, que já carece de doações, é um dos países que vendem órgãos humanos a outras nações, segundo o Ministério Público Federal, o que pode agravar ainda mais a situação dos enfermos necessitados, que muitas vezes não possuem dinheiro para realizar o procedimento, sem contar os riscos que a realização ilegal destes pode trazer.
         É evidente, portanto, que a doação de órgãos precisa ser menos restrita no Brasil. O Ministério da Saúde em parceria com a ABTO, deveriam incentivar, por meio de veículos midiáticos, como a televisão e a internet, o diálogo entre familiares a respeito da possibilidade da doação após o falecimento de algum ente. Isso facilitaria os processos jurídicos relacionados a esta questão, e reduziria as mortes por falta de companheirismo entre os cidadãos, pois como já mencionado pelo escritor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor representa o respeito pela dignidade humana.