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    Em " A Rosa do Povo", Carlos Drummond de Andrade já evidenciava os efeitos da modernidade: a inevitável incomunicabilidade do sujeito. Em face da proposição do poeta modernista, percebe-se, hodiernamente, que a falta de diálogo na esfera familiar tem contribuído com a problemática da falta de doação de órgãos. Além desse aspecto, figura como causa perpetuadora desse impasse, a falta de infraestrutura hospitalar e a frágil logística de integração de áreas mais afastadas para a captação de órgãos em estado propício para o uso.
       Primeiramente, é nevrálgico analisar os dilemas da doação de órgãos por um prisma familiar. Isso se dá devido ao tratamento do assunto como um tabu, uma situação que parece inatingível e, essa falta de debate e possíveis atitudes tomadas em um eventual óbito de um familiar, configuram um distanciamento das instituições familiares desse gesto que é demasiadamente importante para salvar à vida de milhares de pessoas. Em consonância com o pensamento do filósofo polonês Zygmunt Bauman, falecido em 2017, as relações na pós-modernidade se tornaram mais frágeis e inconstante, evidenciando, que esse fenômeno social pode agravar, ainda mais, o estabelecimento de diálogos entre familiares e contribuir, sobremaneira, com a perpetuação do hábito de não praticar a doação de órgãos.
       Além desse aspecto, a falta de aporte hospitalar associado a pouca integração de áreas com pouco acesso em um país de dimensões continentais, agrava a situação. Nessa perspectiva, mesmo que haja mobilização da sociedade civil para promover a doação de órgãos, a falta de tecnologia de conservação e até de captação de unidades funcionais do corpo humano. Ademais, regiões de difícil acesso estão suscetíveis a perda de órgãos em larga escala, uma vez que a falta de hospitais públicos próximos comprometem a qualidade e funcionalidade dessas partes do organismo. Elucida-se isso pela publicação da Folha de S.Paulo que constatou que o Brasil desperdiça 50% dos órgãos para transplante, devido a pouca estrutura hospitalar para manter e tirar os órgãos para operações, evidenciando que essa problemática passa por problemas de gestão e investimento público.
      Percebe-se, portanto, que esse dilema possui causas estruturadas no âmbito familiar e público, requerendo, assim, medidas de atenuação. É dever do poder Legislativo fomentar políticas pública, por meio legal,  que destine verbas para ABTO ( Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) para que essa possa adquirir tecnologias mais avanças para a preservação e deslocamento de órgãos por longas distancias. Já as Mídias compete a promoção de propagando, por veículos digitais e televisionados, sobre a importância de se discutir sobre a doação de órgãos no ceio familiar, para que, assim, incomunicabilidade postulada por Drummond deixa de existir e esse tema seja difundido.